A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deve reassumir a presidência do PL Mulher após as eleições deste ano.
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A decisão foi discutida com integrantes da cúpula nacional do partido, segundo relatos, e ocorre após meses de desgaste entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
Neste momento, Michelle pretende concentrar sua atuação na campanha ao Senado pelo Distrito Federal.
Por isso, o comando do braço feminino do PL deve permanecer sem uma nova titular até o fim do período eleitoral.
A ex-primeira-dama deixou a presidência do PL Mulher em junho, após divergências com integrantes do partido e da própria família Bolsonaro.
A saída aconteceu em meio a uma crise com Flávio, que se tornou pública dias depois.
Michelle deixou cargo após desgaste com Flávio
A saída de Michelle do comando do PL Mulher ocorreu em um momento de crescente insatisfação com os rumos do partido.
O desgaste aumentou depois que Michelle criticou publicamente Flávio. Ela relatou ter sido maltratada pelo enteado e afirmou ter entendido que ele não queria seu apoio político.
A crise também envolvia as articulações do PL no Ceará. Michelle defendia uma composição diferente da adotada por Flávio e era contrária à aproximação do partido com Ciro Gomes (PSDB).
A divergência política acabou expondo uma tensão familiar e provocou preocupação dentro do PL.
Michelle construiu nos últimos anos uma base própria entre o eleitorado feminino de direita e a bancada evangélica. Por isso, aliados de Flávio avaliavam que uma ruptura entre os dois poderia prejudicar a campanha presidencial.

Reaproximação foi articulada pelo PL
A crise começou a ser contornada nos bastidores. Valdemar Costa Neto participou das conversas para aproximar Michelle e Flávio e afirmou que a ex-primeira-dama aceitaria um pedido de desculpas do senador.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e a senadora Damares Alves (Republicanos) também participaram das articulações.
Em 23 de julho, Michelle e Flávio voltaram a demonstrar publicamente uma disposição de entendimento. A movimentação ocorreu pouco antes da convenção que oficializaria a candidatura do senador à Presidência.
A avaliação dentro do partido era de que Flávio não poderia iniciar oficialmente a corrida presidencial com uma crise aberta dentro da própria família, principalmente envolvendo Michelle.
No entanto, ela deve manter uma participação controlada na campanha do enteado.
A cúpula do PL pretende utilizar Michelle em vídeos e peças eleitorais. A expectativa também era de que ela aparecesse ao lado de Flávio em eventos no Distrito Federal.
Apesar da reconciliação, aliados afirmam que Michelle deverá evitar uma exposição excessiva ao lado de Flávio.
A estratégia busca preservar a imagem da ex-primeira-dama e impedir que novos conflitos afetem sua própria campanha ao Senado.
Retorno ao PL Mulher após as eleições
Com a disputa eleitoral como prioridade, Michelle deve permanecer focada na candidatura ao Senado até outubro.
Depois das eleições, a previsão é que ela reassuma a presidência do PL Mulher, retomando o espaço que ocupava antes da crise interna.
O retorno deve marcar uma nova etapa na relação entre Michelle e a direção do partido. Ao mesmo tempo, a ex-primeira-dama continuará sendo uma figura importante para a estratégia eleitoral do bolsonarismo.
A expectativa dentro do PL é que Michelle consiga conciliar a atuação partidária com a construção de sua própria trajetória política, sem que os conflitos familiares voltem a comprometer sua imagem ou a campanha presidencial de Flávio.









