Há 53 anos, em 11 de setembro de 1973, o Chile sofria um golpe de Estado que interrompeu o governo do presidente Salvador Allende e deu início a uma das ditaduras mais violentas da América Latina. Lideradas pelo general Augusto Pinochet, as Forças Armadas chilenas tomaram pontos estratégicos do país e cercaram o Palácio de La Moneda, sede da Presidência, em Santiago.
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Eleito em 1970 pela coalizão Unidade Popular, Allende tornou-se uma das principais figuras da esquerda latino-americana. Seu governo defendia uma transformação socialista pela via institucional e promoveu medidas como a nacionalização do cobre e o aprofundamento da reforma agrária, em meio a uma crescente polarização política, crise econômica e forte oposição interna e externa. Na manhã do golpe, Allende permaneceu em La Moneda mesmo diante do avanço das tropas.
Antes do bombardeio ao palácio, fez sua última transmissão pela Rádio Magallanes. No discurso, afirmou que não renunciaria e declarou: “Pagarei com minha vida a lealdade do povo”. Horas depois, Allende morreu dentro de La Moneda.

Sua morte marcou o fim de seu governo e o início da ditadura comandado por Pinochet, que permaneceu no poder até 1990. Repressão e violência de Estado. Nos anos seguintes ao golpe, o Chile viveu sob perseguição sistemática aos opositores da ditadura.
Prisões arbitrárias, torturas, execuções, desaparecimentos forçados e exílios atingiram milhares de pessoas. Estádios, delegacias, quartéis e outros espaços foram utilizados como centros de detenção e tortura. A repressão chilena também ultrapassou as fronteiras nacionais. Durante os anos 1970, o regime de Pinochet participou da Operação Condor, articulação entre ditaduras sul-americanas para perseguir, sequestrar e eliminar opositores políticos em diferentes países.
Ao mesmo tempo, familiares de mortos e desaparecidos, sobreviventes, organizações de direitos humanos e movimentos sociais mantiveram viva a denúncia dos crimes cometidos pelo Estado e a reivindicação por verdade e justiça.
Mais de cinco décadas se passaram desde o bombardeio de La Moneda, mas o 11 de setembro continua sendo uma data central para a memória política chilena.
A figura de Salvador Allende permanece ligada tanto à experiência da Unidade Popular quanto à defesa da democracia diante da ruptura institucional de 1973. A ditadura conseguiu interromper um governo, perseguir uma geração e deixar profundas marcas na sociedade chilena, mas o legado de Allende e do povo chileno é eterno.









