Eleições 2026: 13 candidatos disputam a Presidência em uma campanha marcada pela polarização

Treze nomes foram registrados para disputar a Presidência da República nas eleições de 2026, em uma corrida que reúne diferentes correntes ideológicas, partidos de grande estrutura nacional e legendas de menor expressão eleitoral. A relação foi consolidada após o encerramento do prazo para apresentação dos pedidos de registro à Justiça Eleitoral, em 15 de agosto.

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O calendário eleitoral estabeleceu entre 20 de julho e 5 de agosto o período para que os partidos realizassem suas convenções e escolhessem oficialmente os candidatos. Já os pedidos de registro puderam ser apresentados até as 19h de 15 de agosto. A propaganda eleitoral começou em 16 de agosto.

A votação do primeiro turno está marcada para 4 de outubro. Se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos votos válidos, os dois mais votados avançarão para o segundo turno, previsto para 25 de outubro.

A lista inclui o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal representante do bolsonarismo na disputa, além de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Pablo Marçal (PRTB), Augusto Cury (Avante), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Wilson Grassi (Democrata).

O número de candidatos, porém, não significa uma disputa eleitoral equilibrada entre as 13 candidaturas. Os levantamentos divulgados no início da campanha mostram concentração das intenções de voto nos principais nomes, especialmente Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto candidatos como Caiado, Zema, Renan Santos, Cury e Marçal aparecem em um segundo grupo.

Lula tenta o quarto mandato presidencial

Lula, candidato à Presidência da República pelo PT - Foto: Yuri Murakami/F/2.8 News/Estadão Conteúdo
Lula, candidato à Presidência da República pelo PT – Foto: Yuri Murakami/F/2.8 News/Estadão Conteúdo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputa a eleição de 2026 em busca de um novo mandato. Natural de Caetés, então distrito de Garanhuns, em Pernambuco, Lula construiu sua trajetória política a partir do movimento sindical e chegou pela primeira vez à Presidência em 2003.

Governou o país por dois mandatos consecutivos, entre 2003 e 2010, e retornou ao Palácio do Planalto em 2023, depois de derrotar Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição de 2022.

A atual campanha representa, portanto, uma tentativa de permanecer no poder até 2030. Lula chega à disputa como presidente em exercício e como o único candidato que busca a continuidade direta de um governo federal em andamento.

Sua trajetória eleitoral também é marcada pela eleição de 2018, quando foi impedido de concorrer após a condenação no caso do tríplex do Guarujá. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações por questões relacionadas à competência da vara federal que julgou os processos, permitindo que Lula recuperasse os direitos políticos e disputasse a eleição seguinte.

Em 2022, o petista derrotou Bolsonaro no segundo turno e voltou à Presidência.

Agora, a estratégia eleitoral do PT passa pela defesa dos resultados do governo, pela continuidade de políticas públicas e pela tentativa de preservar uma coalizão ampla de apoio político.

Flávio Bolsonaro assume o lugar de principal candidato do bolsonarismo

Candidato à presidência Flávio Bolsonaro - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Candidato à presidência Flávio Bolsonaro – Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

No campo da direita, Flávio Bolsonaro (PL) ocupa o espaço deixado pelo pai, Jair Bolsonaro, que não está na disputa presidencial.

Senador pelo Rio de Janeiro e filho mais velho do ex-presidente, Flávio foi escolhido pelo Partido Liberal para representar o grupo político bolsonarista na eleição.

A candidatura representa uma tentativa de transferir para outro integrante da família Bolsonaro o capital político acumulado pelo ex-presidente durante seus anos de atividade política e passagem pelo Palácio do Planalto.

Flávio iniciou a carreira eleitoral como deputado estadual no Rio de Janeiro, cargo para o qual foi eleito pela primeira vez em 2002. Permaneceu na Assembleia Legislativa por quatro mandatos e, em 2018, foi eleito senador.

A escolha do senador também reorganizou o tabuleiro da direita. Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo e considerado anteriormente um dos nomes possíveis para a Presidência, permaneceu na disputa estadual.

O mesmo movimento ocorreu com outros nomes que chegaram a ser considerados presidenciáveis durante a fase de pré-campanha.

Caiado representa uma das alternativas à polarização

Ronaldo Caiado (PSD) candidato à presidência - Foto: Divulgação/Secom-GO
Ronaldo Caiado (PSD) candidato à presidência – Foto: Divulgação/Secom-GO

Ronaldo Caiado (PSD) chega à eleição com uma longa trajetória política e experiência em diferentes cargos públicos.

Natural de Anápolis (GO), o governador construiu carreira inicialmente na medicina e na atividade rural. Em 1985, participou da fundação da União Democrática Ruralista (UDR), organização que teve forte atuação na defesa dos interesses do setor agropecuário.

Caiado disputou a Presidência pela primeira vez em 1989, na primeira eleição direta para presidente após a redemocratização.

Depois, foi eleito deputado federal por Goiás em 1990 e permaneceu na Câmara por cinco mandatos. Em 2014, chegou ao Senado e, quatro anos depois, foi eleito governador de Goiás.

Reeleito em 2022, decidiu deixar o governo estadual para disputar novamente a Presidência.

Sua candidatura ocupa um espaço importante dentro do campo da direita, mas procura se apresentar como alternativa tanto ao bolsonarismo quanto ao lulismo.

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Zema tenta levar o modelo de Minas Gerais ao plano nacional

Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais e candidato à reeleição - Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG
Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais e candidato à reeleição – Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

Outro nome da direita é Romeu Zema (Novo).

Natural de Araxá (MG), o empresário chegou à política em 2018, quando foi eleito governador de Minas Gerais pelo Novo. A vitória surpreendeu parte do cenário político daquele ano, especialmente pela força de sua campanha no segundo turno.

Em 2022, Zema foi reeleito no primeiro turno com 56,18% dos votos.

A candidatura presidencial representa a tentativa de ampliar nacionalmente o discurso associado ao Novo, com ênfase em responsabilidade fiscal, redução do tamanho do Estado e reformas estruturais.

Zema disputa o espaço ocupado por candidatos que pretendem apresentar uma alternativa liberal e de direita ao eleitorado que não se identifica nem com Lula nem com o bolsonarismo.

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Renan Santos leva o MBL para a disputa nacional

O candidato à presidência Renan Santos (Missão) - Foto: Renato Pizzutto/Band
O candidato à presidência Renan Santos (Missão) – Foto: Renato Pizzutto/Band

Renan Santos (Missão) é um dos nomes que representam uma nova geração da direita brasileira.

Natural de Vinhedo (SP), empresário e músico, ele é um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que ganhou projeção nacional durante as manifestações políticas da década passada.

Renan participou da articulação do movimento pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff e posteriormente ajudou a estruturar o Partido Missão, aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2025.

A candidatura representa a tentativa de transformar a influência política construída pelo MBL em uma plataforma eleitoral nacional.

O desafio é conquistar um eleitorado que, embora majoritariamente situado à direita, já possui outras alternativas na mesma faixa ideológica.

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Pablo Marçal enfrenta o principal obstáculo jurídico da campanha

O candidato à Presidência da República pelo PRTB, Pablo Marçal - Foto: Reprodução/Youtube
O candidato à Presidência da República pelo PRTB, Pablo Marçal – Foto: Reprodução/Youtube

Pablo Marçal (PRTB) também teve seu pedido de registro apresentado para a Presidência, mas sua candidatura está sob forte questionamento jurídico.

Empresário e influenciador digital, Marçal ganhou projeção nacional nos últimos anos e disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024, quando terminou a eleição em terceiro lugar.

Sua candidatura presidencial, contudo, enfrenta uma situação diferente das demais.

Em 20 de agosto, o Tribunal Superior Eleitoral determinou, por unanimidade, a suspensão dos atos de campanha de Marçal, incluindo o uso de recursos públicos, propaganda eleitoral gratuita e participação em debates, até o julgamento definitivo do registro. O Ministério Público Eleitoral apontou dúvidas sobre sua filiação partidária e também citou a situação de inelegibilidade decorrente de condenações relacionadas à eleição municipal de 2024.

O cenário passou por nova movimentação em 25 de agosto, quando o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo reverteu uma das decisões que haviam imposto oito anos de inelegibilidade ao candidato. Ainda assim, outros processos permanecem em andamento e a situação de sua candidatura presidencial não está definitivamente resolvida.

Dessa forma, embora Marçal conste entre os 13 pedidos de registro recebidos pelo TSE, não é correto tratá-lo neste momento como candidato definitivamente apto a disputar a eleição.

Augusto Cury aposta em uma candidatura fora da polarização

Escritor Augusto Cury (Avante) é candidato à Presidência nas eleições de 2026 - Foto: Lima Andruška from Rio de Janeiro, Brazil, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons
Escritor Augusto Cury (Avante) é candidato à Presidência nas eleições de 2026 – Foto: Lima Andruška from Rio de Janeiro, Brazil, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) é outro nome que tenta ocupar uma faixa diferente do eleitorado.

Natural de Colina (SP), Cury construiu carreira como médico, professor, pesquisador e escritor. Tornou-se conhecido nacionalmente por livros voltados à psicologia, comportamento e desenvolvimento pessoal.

Entre suas obras está O Vendedor de Sonhos, adaptada para o cinema em 2016.

Na política, Cury procura apresentar uma candidatura associada à ideia de superação da polarização. Seu programa inclui propostas institucionais, econômicas e sociais e defende, entre outros pontos, a adoção do semipresidencialismo.

A candidatura tenta transformar a popularidade construída fora da política em capital eleitoral, estratégia que já foi utilizada por outras personalidades públicas que migraram para a disputa eleitoral.

Clariana Barão representa o Democracia Cristã

Clariana Barão, do Democracia Cristã - Foto: Divulgação
Clariana Barão, do Democracia Cristã – Foto: Divulgação

Clariana Barão (DC) é advogada e presidente do diretório estadual do Democracia Cristã em Mato Grosso.

Sua candidatura foi definida após a desistência do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, que havia sido considerado pelo partido durante a fase de pré-campanha.

Com menor exposição nacional em comparação com os principais concorrentes, Clariana enfrenta o desafio de ampliar o conhecimento de seu nome entre os eleitores.

Sua candidatura também integra a estratégia do Democracia Cristã de apresentar uma opção própria na eleição presidencial.

Edmilson Costa leva o PCB à disputa

Edmilson Silva Costa tem 76 anos e atua como secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB). - Foto: Divulgação
Edmilson Silva Costa tem 76 anos e atua como secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB). – Foto: Divulgação

O economista Edmilson Costa (PCB) representa uma das candidaturas mais à esquerda da eleição.

Doutor em Economia pela Unicamp e com pós-doutorado na área de Ciências Humanas, Costa defende mudanças profundas na estrutura econômica e institucional brasileira.

O programa apresentado pelo PCB inclui a reversão de reformas trabalhista e previdenciária, mudanças no modelo fiscal e alterações na estrutura do Poder Legislativo.

O partido também defende o fim do Senado Federal e a adoção de um Parlamento unicameral.

A candidatura se posiciona frontalmente contra o modelo econômico liberal e contra o que o partido classifica como avanço de correntes de extrema direita.

Hertz Dias representa o PSTU

Hertz Dias, candidato do PSTU à Presidência da República - Foto: Reprodução/PSTU
Hertz Dias, candidato do PSTU à Presidência da República – Foto: Reprodução/PSTU

Hertz Dias (PSTU) é professor da rede pública, historiador e militante político.

Natural de São José de Ribamar (MA), ele possui formação pela Universidade Federal do Maranhão e tem trajetória ligada ao movimento negro e ao movimento Hip Hop.

É um dos fundadores do Movimento Hip Hop Quilombo Urbano, criado em 1989, e atua no PSTU desde 2010.

Em 2018, foi candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Vera Lúcia.

Sua candidatura em 2026 mantém a tradição do PSTU de apresentar uma plataforma própria nas eleições presidenciais.

Rui Costa Pimenta volta à corrida presidencial

Fundador do partido, Rui Costa Pimenta, é candidato à Presidência pelo PCO - Foto: Reprodução/Redes sociais
Fundador do partido, Rui Costa Pimenta, é candidato à Presidência pelo PCO – Foto: Reprodução/Redes sociais

Presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta disputa novamente a Presidência.

Natural de São Paulo, iniciou sua militância política no movimento estudantil no final dos anos 1970 e participou da fundação do PT em 1980.

Posteriormente, rompeu com o partido e fundou o PCO.

Pimenta já disputou a Presidência em outras quatro ocasiões, em 2002, 2006, 2010 e 2014.

A campanha de 2026 ocorre, porém, em meio a uma investigação da Polícia Federal. Em 11 de agosto, a PF deflagrou a Operação Causa Própria, que investiga suspeitas de desvio de recursos provenientes do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Um dos alvos foi Rui Costa Pimenta. A investigação não equivale a uma condenação e deve ser tratada como apuração em curso.

Samara Martins volta à disputa presidencial

Samara Martins, candidata do UP à Presidência da República - Divulgação/UP
Samara Martins, candidata do UP à Presidência da República – Divulgação/UP

Samara Martins (UP) é dentista e vice-presidente nacional da Unidade Popular.

Sua trajetória política está ligada a movimentos sociais e organizações voltadas às pautas de mulheres e do movimento negro.

Em 2022, participou da chapa presidencial encabeçada por Leonardo Péricles como candidata a vice-presidente.

Quatro anos depois, passa a ocupar o posto principal da chapa da UP.

A candidatura representa uma das posições mais à esquerda entre as 13 chapas apresentadas para a eleição presidencial.

Wilson Grassi disputa sua quarta eleição

Veterinário Wilson Grassi - Foto: Instagram Wilson Grassi
Veterinário Wilson Grassi – Foto: Instagram Wilson Grassi

Wilson Grassi (Democrata) é médico veterinário e natural de São Paulo.

Sua trajetória eleitoral começou em 2006, quando disputou uma vaga de deputado estadual.

Também concorreu a deputado federal em 2022 e a vereador da capital paulista em 2024, sem conseguir se eleger.

Grassi participou da criação de um hospital público para cães e gatos em São Paulo quando atuava na Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais.

A eleição presidencial de 2026 será, portanto, sua quarta tentativa de conquistar um cargo eletivo.

Uma direita fragmentada e uma esquerda concentrada

O desenho da eleição revela uma característica importante do cenário político de 2026: a esquerda chega à disputa presidencial essencialmente concentrada em torno de Lula, enquanto a direita apresenta um número maior de candidaturas competitivas ou com pretensão de ocupar esse espaço.

Além de Flávio Bolsonaro, estão no campo da direita ou centro-direita nomes como Caiado, Zema e Renan Santos. Marçal também disputa esse eleitorado, embora sua situação jurídica torne sua participação no pleito incerta.

Essa divisão cria uma questão central para a campanha: até que ponto os candidatos de direita conseguirão preservar seus próprios eleitorados sem favorecer a liderança de Lula no primeiro turno?

Os levantamentos divulgados em agosto mostram Lula e Flávio Bolsonaro em vantagem sobre os demais candidatos. Pesquisa Datafolha realizada entre 18 e 21 de agosto apontou Lula com 39% e Flávio com 33% no primeiro turno. Em levantamento BTG/Nexus divulgado no dia 24, Lula apareceu com 41%, contra 37% de Flávio.

Os números, entretanto, representam fotografias do momento e não determinam o resultado da eleição.

A polarização continua no centro da disputa

A eleição de 2026 ocorre quatro anos depois de uma das disputas presidenciais mais polarizadas da história recente brasileira.

Em 2022, Lula e Bolsonaro concentraram praticamente todo o debate eleitoral. Em 2026, Bolsonaro não está na urna, mas seu grupo político permanece representado pela candidatura de Flávio Bolsonaro.

Do outro lado, Lula tenta transformar a condição de presidente em vantagem eleitoral e apresentar a continuidade de seu governo como argumento para conquistar um novo mandato.

A ausência de Bolsonaro, portanto, não eliminou a polarização. O que mudou foi sua configuração.

Agora, a direita precisa decidir qual de seus diferentes candidatos terá condições de chegar ao segundo turno. Caiado, Zema, Renan Santos e Flávio Bolsonaro disputam parcelas de um eleitorado que, em maior ou menor grau, se posiciona contra o governo Lula.

A fragmentação desse campo pode ser decisiva para determinar quem enfrentará Lula em 25 de outubro, caso o presidente avance ao segundo turno.

O papel da Justiça Eleitoral

A lista dos 13 nomes não deve ser confundida com uma relação de candidaturas definitivamente deferidas.

O pedido de registro é apenas uma etapa do processo eleitoral. Depois de protocolado, cabe à Justiça Eleitoral analisar a documentação, as condições de elegibilidade e eventuais impugnações.

O próprio TSE esclareceu que a apresentação do pedido de registro não garante automaticamente o deferimento da candidatura.

O caso de Pablo Marçal é o exemplo mais evidente dessa diferença. Embora esteja entre os 13 candidatos registrados no prazo, ele está impedido provisoriamente de realizar atos de campanha por determinação do TSE até que o tribunal examine definitivamente seu registro.

Essa situação pode produzir alterações na configuração da disputa caso decisões judiciais sejam tomadas durante a campanha.

Treze nomes, uma disputa concentrada

A eleição presidencial de 2026 apresenta, formalmente, 13 candidatos:

  • Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Flávio Bolsonaro (PL)
  • Ronaldo Caiado (PSD)
  • Romeu Zema (Novo)
  • Pablo Marçal (PRTB)
  • Renan Santos (Missão)
  • Augusto Cury (Avante)
  • Clariana Barão (DC)
  • Edmilson Costa (PCB)
  • Hertz Dias (PSTU)
  • Rui Costa Pimenta (PCO)
  • Samara Martins (UP)
  • Wilson Grassi (Democrata)

A relação foi confirmada após o encerramento do prazo de registros em 15 de agosto. Dos 13 nomes, 12 concorrem em chapas formadas exclusivamente por integrantes de seus próprios partidos, enquanto Lula é o único candidato apoiado por uma coligação.

O número elevado de candidaturas demonstra a fragmentação do sistema partidário brasileiro, mas as pesquisas indicam que a maior parte desses nomes começa a campanha com baixa intenção de voto.

O cenário pode mudar nas próximas semanas, especialmente com a exposição proporcionada pela propaganda eleitoral, pelos debates e pela campanha nas redes sociais.

Campanha entra em fase decisiva

Com a campanha oficialmente nas ruas e na internet desde 16 de agosto, a disputa passa a ser medida não apenas pela capacidade dos partidos de lançar candidatos, mas pela habilidade de cada campanha em transformar presença política em votos.

Para Lula e Flávio Bolsonaro, o desafio é consolidar as duas maiores bases eleitorais identificadas pelas pesquisas.

Para Caiado, Zema e Renan Santos, a missão é crescer o suficiente para romper a atual concentração da disputa.

Para Cury, Marçal e os demais candidatos, o objetivo passa por ampliar a exposição nacional e transformar nichos eleitorais em parcelas mais significativas do eleitorado.

A televisão continuará relevante, mas as redes sociais terão papel ainda mais importante na construção da narrativa eleitoral, sobretudo para candidaturas com estruturas menores.

Ao mesmo tempo, a Justiça Eleitoral continuará ocupando posição central, seja na análise dos registros, seja na fiscalização da propaganda e do financiamento das campanhas.

O primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro. Caso nenhum candidato alcance a maioria absoluta dos votos válidos, os dois mais votados voltarão às urnas em 25 de outubro.

Até lá, a eleição seguirá sendo definida por uma combinação de fatores: desempenho nas pesquisas, alianças políticas, exposição nos meios de comunicação, capacidade de mobilização e, sobretudo, pela maneira como o eleitorado reagirá à disputa entre um presidente que busca permanecer no poder e uma oposição fragmentada em diferentes candidaturas.

As urnas, no fim das contas, terão de transformar essa fotografia fragmentada em apenas dois nomes — ou em um vencedor já no primeiro turno.

Autor

  • Nicolas Pedrosa

    Jornalista formado pela UNIP, com experiência em TV, rádio, podcasts e assessoria de imprensa. Atuou na Prefeitura de São Vicente durante a pandemia e atualmente gerencia a comunicação da Caixa de Saúde e Pecúlio de São Vicente. Apaixonado por leitura e escrita, desenvolvo livros que abordam temas sociais e histórias de superação, unindo técnica e sensibilidade narrativa.

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