Preço da carne bovina dispara e pressiona inflação

Nos atacados da Grande São Paulo, os preços da carcaça casada bovina bateram recorde, chegando ao preço médio de R$ 25,05. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da USP de Piracicaba, o aumento foi de 45% em apenas dois anos. O valor registrado é o maior desde que o Cepea começou o levantamento, no ano de 2001.

O aumento do valor se dá principalmente pela diminuição do número de bovinos prontos para o abate e a forte procura internacional, e esse cenário impacta toda a cadeia do agronegócio brasileiro.

A baixa disponibilidade de animais reflete o intervalo de pastagem entre janeiro e abril, época marcada por condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento do pasto.

Embora as exportações nacionais mantenham seu nível elevado graças à demanda de países importadores, o fluxo diminui a quantidade disponível para o consumo interno. Apesar da situação contribuir positivamente para a competitividade global do Brasil, o país é forçado a pressionar os valores no mercado interno.

A expectativa é que os preços permaneçam elevados a curto prazo, trazendo impactos aos consumidores. De acordo com o Índice de Cesta Básica de Piracicaba (ICB-Esalq), de março de 2026, o preço da carne de primeira aumentou R$ 10 por quilo desde o início do ano. Passou de R$ 44,24 em janeiro para R$ 54,84 no mês passado. 

Para mitigar a volatilidade dos preços e aumentar a oferta de forma sustentável, o setor agrícola tem investido em pesquisas voltadas à Intensificação de Pastagens e ao uso de tecnologias de Suplementação Alimentar.  

Estudos recentes da Embrapa demonstram que a adoção de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) pode aumentar a produtividade por hectare em até 30%, permitindo que o gado atinja o peso de abate mais rapidamente, mesmo durante os períodos de entressafra.

O salto nos preços da carne bovina expõe o conflito entre o apetite do mercado externo e o poder de compra do brasileiro. Enquanto o agronegócio celebra recordes de exportação, o consumidor final enfrenta o desafio de manter a proteína no prato diante de altas que superam a inflação.

A curto prazo, o alívio nas gôndolas depende não apenas do fim do ciclo de entressafra, mas da capacidade do setor em elevar a produtividade interna para equilibrar a balança. Até lá, a tendência é que o consumidor continue adaptando o cardápio, substituindo os cortes bovinos por fontes de proteína mais acessíveis, como o frango e os ovos. 

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