A saída de profissionais experientes tem criado um desafio silencioso para a indústria brasileira: a perda do conhecimento técnico acumulado ao longo de anos de operação. Informações sobre equipamentos, processos, falhas recorrentes e soluções práticas ainda permanecem, em muitos casos, na memória dos colaboradores. Quando esses profissionais deixam a empresa, parte desse patrimônio também desaparece, afetando produtividade, eficiência e a continuidade das operações.
O cenário ganha força diante das mudanças no mercado de trabalho. Segundo o Mapa do Trabalho Industrial 2025-2027, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 14 milhões de trabalhadores da indústria precisarão de qualificação até 2027, seja para formação inicial, requalificação ou aperfeiçoamento, acompanhando a transformação tecnológica do setor. A necessidade de preparar novos profissionais reforça a importância de preservar o conhecimento acumulado dentro das empresas e garantir que ele seja compartilhado entre diferentes gerações de trabalhadores.
Em muitas organizações, o conhecimento ainda depende da experiência individual de técnicos e mantenedores. Históricos de falhas, procedimentos específicos, ajustes realizados ao longo dos anos e informações importantes sobre os ativos nem sempre estão documentados. Com isso, a saída de um colaborador experiente pode representar também a perda de informações estratégicas para a operação.
É nesse contexto que a digitalização da manutenção ganha um papel estratégico. Fundada para acelerar a transformação digital da indústria, a Melvin desenvolve soluções para gestão da manutenção, confiabilidade de ativos e manutenção preditiva. A empresa atende mais de 180 indústrias brasileiras com uma plataforma que integra software de gestão, sensores IoT e inteligência artificial para registrar o histórico dos equipamentos, organizar processos e transformar dados operacionais em inteligência para a tomada de decisão.
Além da tecnologia, a Melvin também investe na formação de profissionais. Em parceria com a Manutenção em Ação, a empresa oferece o MBA em Gestão de Manutenção 4.0, uma pós-graduação voltada para profissionais que desejam unir conhecimento técnico, gestão e tecnologia. A formação aborda temas como gestão de ativos, confiabilidade, manutenção preditiva, planejamento e controle da manutenção, preparando especialistas para atuar em um cenário industrial cada vez mais digital e orientado por dados.
Para Igor Silveira, CEO e cofundador da Melvin, ainda existe uma percepção limitada sobre o papel da digitalização na manutenção industrial.
“Muitas empresas acreditam que digitalizar a manutenção significa apenas substituir papel por software ou organizar ordens de serviço. O maior ganho está em preservar o conhecimento da operação. Cada inspeção, cada intervenção e cada solução aplicada passam a construir uma base de conhecimento que permanece na empresa e pode ser utilizada por qualquer profissional.”
Na prática, esse histórico permite acompanhar todo o ciclo de vida dos ativos, identificar padrões de falhas, padronizar procedimentos e acelerar a integração de novos colaboradores. Com as informações centralizadas, as equipes passam a tomar decisões mais rápidas e assertivas, reduzindo retrabalho, aumentando a disponibilidade dos equipamentos e fortalecendo estratégias de manutenção preditiva.
Para Eymard Barroso, CSO e cofundador da Melvin, a gestão do conhecimento deixou de ser apenas uma preocupação operacional para se tornar um diferencial competitivo.
“Quando a experiência deixa de depender exclusivamente das pessoas e passa a ser registrada em dados, a empresa cria uma memória operacional. Isso reduz riscos, acelera o aprendizado das equipes e garante que decisões importantes sejam tomadas com base no histórico da operação, e não apenas na lembrança de quem já vivenciou determinado problema.”
Segundo o executivo, esse desafio também passa pela formação de profissionais preparados para trabalhar em um ambiente cada vez mais tecnológico. “A indústria precisa desenvolver pessoas capazes de interpretar dados, aplicar metodologias e utilizar ferramentas digitais para transformar informação em resultado. Tecnologia e qualificação caminham juntas.”
Para a Melvin, preservar o conhecimento técnico exige justamente essa combinação entre tecnologia e capacitação. Enquanto a digitalização registra processos, organiza históricos e transforma a experiência acumulada em uma base acessível para toda a empresa, a formação de novos especialistas garante que esse patrimônio continue sendo utilizado de forma estratégica. Por isso, além das soluções para gestão da manutenção, a companhia investe na qualificação do setor por meio do MBA em Gestão de Manutenção 4.0, desenvolvido em parceria com a Manutenção em Ação. A iniciativa busca preparar profissionais para liderar a transformação digital da indústria e garantir que o conhecimento acumulado permaneça como um ativo permanente das organizações.









