Desde o último sábado, ando às voltas com tudo o que vi na Bienal do Livro. Foi uma loucura do começo ao fim do dia que fui até lá, mas, como eu amo uma farra, me diverti muito.
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Tudo lindo para lá, tudo lindo para cá, mas não vamos falar sobre livros, mas do quanto as pessoas se acham especiais demais para serem humildes. É, pois é… Ser humilde é uma arte, é um estado de espírito que nem todo mundo consegue alcançar. E essa reflexão que me leva ao tema do nosso papo da semana: é tão deliciado ficar no limite de se achar mais especial que os outros, onde, na verdade, somos todos iguais.
Acompanhe o caso… Minha prima e eu estávamos andando na Bienal do Livro de São Paulo sem pressa, caminhando, conversando, entrando em tudo que é estande, ainda mais naqueles alternativos, de livros e obras diferentes, porque estávamos de fato vivendo o momento, sem pressa.
Vimos promoções legais, visitei o estande de uma amiga escritora de livros infantis, a Doroty, e andamos muito… Lá pelas tantas, minha prima, que diferente de mim, ama um livro que tem mistério, polícia, sangue, psicopata, sociopata, serial killer etc. e tal, viu uma livraria voltada para o tema. Entramos… Ohhhh experiência esquisita.
Já na porta, um cara bem grandão, e quem me conhece pessoalmente sabe que não sou pequena, mas o cara era bem maior que eu, convidou a gente para entrar, mas não saiu da frente da entrada, mas ok, achei só sem noção. Lá dentro, um espaço até razoável, e lá vem o moço empurrando a gente para passar, veja bem, empurrando de fato… Para mim, bizarro igual ao tema dos livros, mas… Vamos seguindo. Toda paixão me diverte.
Minha prima encontrou o livro de uma escritora que estava lá. O tema parecia até interessante, quando ela contou que era do Rio de Janeiro e que usava lendas e histórias da região que ela mora para criar as obras. Daí começou o caos. A moça, que nem sabemos mais o nome, contou sobre a história do livro X e minha prima perguntou se ela tinha uma pegada literária na mesma linha do Raphael Montes, que eu conhecia muito pouco até aquele momento, e a moça ficou furiosa.
Virou para minha prima, numa arrogância que nem deveria existir entre aqueles que escrevem, e disse que odiava ser comparada a ele, que não tinha nada a ver o que ela fazia com o que ele fazia.
Eu fiquei chocada com a postura dela, totalmente descabida, raivosa, cheia de ódio. Por mim, eu mandava ela à merda e saía, mas minha prima é mais educada do que eu e ainda foi gentil, disse que realmente não tinha comparação, pediu desculpas e ainda tirou uma foto com a sujeita. Lógico que continha uma certa ironia na ação da minha prima, e talvez tenha sido a única pessoa que conversou com ela naquele dia, mas essa é outra história.
Fui caçar informações sobre o cara, o escritor que eu conhecia pouco, mas que tinha despertado o dragão adormecido da tal moça sem nome, o tal escritor que ela abominou ter a sua obra comparada. O talzinho, segundo a moça, tem 8 obras publicadas que são o maior sucesso de vendas, roteiros para TV e streamings, é bastante conhecido nas redes sociais e arrebata uma legião de fãs.
Alguns corredores adiante dessa situação com a moça, que estava em um estande vazio e confuso, encontramos um corredor que não dava para passar, com um monte de carinhas ansiosas para ver o Raphael e assinar os seus livros. Claro que não estive nessa fila, porque só pego fila se eu for obrigada, mas vi uma comoção em torno do nome dele. Mais tarde, quando já estava no conforto do meu lar, fui ver o movimento nas redes sociais. Bummm… Ele bombou na sua tarde autógrafos, dividiu palco com uma famosa global e ainda fez mil posts sendo fofo. E essa era a palavra usada recorrentemente: ele é um fofo.
O Raphael eu não conheci pessoalmente, mas a moça que nem lembro o nome sim, e foi um desprazer.
Aqui vem uma questão muito forte para mim: como uma pessoa vai ter uma legião de fãs com aquele humor, com aquela postura ruim, com falta de respeito por quem queria ouvir sobre o que era importante para ela, sobre o que ela escrevia?
Se ela nem é famosa ainda e já está assim, imagina se ficar famosa? Talvez nunca fique.
E não é assim na vida também? Quando você imagina que o seu trabalho te coloca em um patamar que te dê um sentimento de arrogância te direcionando, você já falhou como pessoa, falhou como profissional, falhou como ser humano.
As coisas nunca são como aparecem no começo, mas como se mostram no caminho, no trato com quem não pode te dar nada, no momento de crise, e no final. Então, lembre que você não é tão especial assim, porque no fundo, somos todos exatamente iguais, lutando para sobreviver num mundo difícil, cuidando de quem é importante para nós e vivendo somente um dia de cada vez, até o último deles.
E lembre-se sempre que FELICIDADE é uma construção e precisa de um tijolinho todos os dias para ela acontecer.
Beijo da Linda para você, aproveite o seu tempo.








