A teledramaturgia brasileira perdeu, nesta segunda-feira (17), uma de suas maiores referências. Laura Cardoso morreu aos 98 anos, em São Paulo, após mais de oito décadas dedicadas à arte.
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A notícia foi confirmada pela família nas redes sociais. Mas falar sobre Laura Cardoso é falar de uma trajetória que ultrapassa a televisão. É falar de uma mulher que começou sua caminhada artística quando a televisão sequer existia no Brasil e que acompanhou, de dentro, a transformação da dramaturgia nacional.
Nascida Laurinda de Jesus Cardoso, no bairro do Bixiga, em São Paulo, Laura iniciou a carreira ainda adolescente, aos 15 anos, no rádio. Foi na Rádio Cosmos que começou a participar de radionovelas e adotou profissionalmente o nome que se tornaria conhecido em todo o país. Poucos anos depois, a artista faria parte da história da televisão brasileira.
Laura esteve nos primeiros anos da TV Tupi e participou dos teleteatros que ajudaram a construir a linguagem da dramaturgia televisiva no país. Sua carreira acompanhou diferentes fases da televisão, passando por diversas emissoras até chegar à TV Globo, onde se tornou um dos rostos mais reconhecidos da teledramaturgia.
Ao longo de mais de 80 anos de carreira, foram mais de 100 trabalhos, entre novelas, séries, filmes, peças de teatro e outras produções. No currículo, personagens que permaneceram na memória do público, como os de Mulheres de Areia, A Viagem, Chocolate com Pimenta, Caminho das Índias e A Dona do Pedaço.
Laura Cardoso nunca foi apenas uma atriz de televisão. Sua trajetória também passou pelo cinema e pelo teatro, onde recebeu importantes reconhecimentos, incluindo dois Prêmios Shell de melhor atriz. No cinema, participou de mais de 30 filmes e também emprestou a voz à personagem Betty Rubble, de Os Flintstones, em trabalhos de dublagem realizados nas décadas de 1960. Em 2006, recebeu a Ordem do Mérito Cultural, uma das principais condecorações brasileiras destinadas a reconhecer contribuições relevantes para a cultura.
Em 2023, foi homenageada com o Troféu Oscarito, no Festival de Gramado. Sua relação com a profissão também foi marcada pela longevidade. Laura não enxergava a idade como motivo para abandonar a arte. Seu último trabalho na televisão foi como Matilde, em A Dona do Pedaço, em 2019. Em 2025, voltou ao cinema como protagonista do curta Dona Rosinha.
A morte de Laura Cardoso representa a perda de uma testemunha privilegiada da própria construção da cultura brasileira.Ela viu o rádio se transformar, acompanhou o nascimento da televisão, atravessou diferentes gerações de artistas e permaneceu trabalhando enquanto o país mudava ao seu redor. Sua história se confunde, em muitos momentos, com a história da dramaturgia brasileira.
Por isso, seu legado não está apenas nos personagens que interpretou. Está também nas gerações de atores e atrizes que aprenderam observando seu trabalho, na memória de quem cresceu assistindo às suas novelas e na própria história de um país que teve na televisão uma das principais formas de construir seu imaginário coletivo. Laura Cardoso parte aos 98 anos, mas permanece nas telas, nos palcos, nas histórias e principalmente, na memória do povo brasileiro.










Um comentário
Será pra sempre eterna ❤️