Morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, o jornalista e escritor Zuenir Ventura, um dos principais nomes do jornalismo brasileiro. Ele morreu em casa, no Rio de Janeiro, em decorrência de uma pneumonia.
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Nascido em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba, Minas Gerais, Zuenir construiu uma carreira de mais de seis décadas dedicada ao jornalismo e à literatura. Ao longo de sua trajetória, passou por importantes veículos da imprensa brasileira e acompanhou acontecimentos políticos, sociais e culturais que marcaram a segunda metade do século XX.
Entre suas obras mais conhecidas está “1968 – O Ano que Não Terminou”, clássico da não ficção brasileira no qual recuperou acontecimentos, personagens e conflitos de um dos anos mais marcantes da ditadura militar. O livro se tornou uma referência para a compreensão daquele período e de uma geração profundamente marcada pela repressão e pelas transformações políticas e culturais. A obra tornou-se uma das principais referências sobre aquele período e posteriormente inspirou a minissérie Anos Rebeldes.
A relação de Zuenir com a memória da ditadura, no entanto, não ficou restrita aos livros. O jornalista foi preso político e também amigo de Zuzu Angel, estilista que transformou a busca pelo filho, Stuart Angel, preso, torturado, morto e desaparecido por agentes da repressão em uma denúncia pública contra a ditadura.
Durante sua busca por Stuart, Zuzu frequentava a casa de Zuenir e compartilhava com ele as informações que reunia sobre o desaparecimento do filho. O jornalista chegou a chamá-la de “Mãe Coragem”, em referência à personagem de Bertolt Brecht.
Temendo também ser assassinada, Zuzu deixou com Zuenir um bilhete no qual alertava que, caso aparecesse morta em circunstâncias apresentadas como acidente ou assalto, a responsabilidade seria dos mesmos agentes envolvidos na morte de Stuart.
Em 14 de abril de 1976, Zuzu morreu após seu carro sair da pista no Rio de Janeiro, em um caso posteriormente reconhecido pelo Estado brasileiro como morte decorrente da perseguição política.
Outro trabalho de destaque foi “Cidade Partida”, livro-reportagem no qual Zuenir se debruçou sobre a violência e as desigualdades do Rio de Janeiro. A obra lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Reportagem. Ele também escreveu sobre o assassinato do líder seringueiro Chico Mendes e recebeu, ao longo da carreira, reconhecimentos como os prêmios Esso e Vladimir Herzog.
Em 2014, Zuenir foi eleito para a cadeira nº 32 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo Ariano Suassuna, e tomou posse no ano seguinte.
Sua morte encerra uma trajetória profundamente ligada ao jornalismo, à literatura, aos direitos humanos e à memória política brasileira. Por mais de seis décadas, Zuenir Ventura fez da reportagem uma maneira de registrar seu tempo e de ajudar o país a compreender as marcas de sua própria história.
O velório está previsto para esta quarta-feira (23), na sede da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro. O sepultamento ocorrerá no mausoléu da ABL, no Cemitério São João Batista.









