Em 16 de outubro faleceu na cidade de São Paulo, o ex-judoca Chiaki Ishii, atleta que conquistou as primeiras medalhas para o Brasil no cenário mundial do judô.
Chiaki nasceu em Ashikaga, no Japão, após perder a seletiva japonesa para os Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964, decidiu migrar para o Brasil, onde se naturalizou em 1969. Antes mesmo de se estabelecer no Brasil, passou por vários lugares da América do Sul; se estabeleceu na cidade de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, e trabalhou como agricultor em uma colônia japonesa.
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No início da década de 1970 realizou feitos inéditos para o esporte brasileiro: participou do Pan-Americano de 1970 e conquistou duas medalhas de ouro na categoria até 93kg e na categoria aberta (peso absoluto, onde não há limite de peso entre os atletas); em 1971 conquistou a primeira medalha mundial do judô brasileiro com a medalha de bronze em no Campeonato Mundial de Ludwigshafen (Alemanha) e, em 1972 conquistou a medalha de bronze dos Jogos Olímpicos de Munique.
Além de seu pioneirismo o Sensei Ishii foi condecorado com a graduação Kodansha 9º Dan concedida pelo Instituto Kodokan no Japão; condecorado com a Ordem ao Mérito da CBJ (maior honraria do judô brasileiro); em 2019 passou a integrar o Hall da Fama do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e gravou seu nome na Calçada da Fama, além de ter recebido do COB o Troféu Adhemar Ferreira da Silva. Em 2022 foi homenageado pela Federação Paulista de Judô pelos 50 anos da conquista pioneira da medalha olímpica do judô.
Sensei Ishii também trabalhou em sua academia de judô na região da Lapa em São Paulo, revelando talentos que se tornaram medalhistas olímpicos como Walter Carmona (bronze no Mundial de Paris 1979 e bronze nos Jogos de Los Angeles 1984) e Rafael “Baby” da Silva (hexacampeão Pan-Americano, bronze nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, Rio 2016 e, Paris 2024, além de medalhas em Campeonatos Mundiais).
A Confederação Brasileira de Judô (CBJ) publicou nota de pesar:
“Hoje, o judô brasileiro se despede de uma de suas maiores referências. Chiaki Ishii foi um pioneiro que acreditou no potencial do Brasil e ajudou a mostrar ao mundo a força da nossa modalidade. Sua história não está apenas nas medalhas que conquistou, mas também nos atletas que formou, nos ensinamentos que compartilhou e no caminho que abriu para tantas gerações. Sua contribuição jamais será esquecida. Que sua memória permaneça viva em nosso esporte e continue inspirando todos aqueles que vestem um judogi. Neste momento de dor, a CBJ expressa solidariedade à família, amigos, alunos e a toda comunidade do judô. Que o legado do sensei Ishii siga inspirando as futuras gerações.”
Descanse em paz sensei e que seu legado continue inspirando as novas gerações de judocas.












