Amelinha Teles: presente na memória, hoje e para todo sempre

Há uma semana, em 15 de setembro, o Brasil se despedia de Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles, aos 81 anos. Jornalista, escritora, feminista, militante política e defensora dos direitos humanos, Amelinha deixou uma trajetória marcada pela resistência à ditadura militar e pela luta pelos direitos das mulheres, pela memória, pela verdade e pela justiça.

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Nascida em Contagem, Minas Gerais, em 1944, Amelinha militou no Partido Comunista do Brasil (PCdoB) durante a ditadura. Em 28 de dezembro de 1972, foi presa e levada para a Operação Bandeirantes (Oban), estrutura da repressão política em São Paulo vinculada ao DOI-Codi.

Ali, foi submetida a sessões de tortura sob o comando de Carlos Alberto Brilhante Ustra. Seu então marido, César Augusto Teles, também foi preso e torturado. Os filhos do casal, Janaína e Edson, que tinham apenas 5 e 4 anos, foram levados ao local e expostos à violência praticada contra os pais.

Amelinha também testemunhou a morte de Carlos Nicolau Danielli, dirigente do PCdoB preso e torturado pelos agentes da repressão. A violência que sofreu, porém, não encerrou sua atuação política. Nas décadas seguintes, ela transformou a experiência da perseguição em uma luta permanente para que os crimes cometidos pelo Estado brasileiro não fossem apagados da história.

Ao lado da família, Amelinha participou de uma ação judicial que resultou no reconhecimento de Ustra como torturador pela Justiça brasileira. O processo tornou-se um marco nas tentativas de responsabilização por violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura.

Amelinha participou da fundação da União de Mulheres de São Paulo, em 1981, esteve ligada ao jornal Brasil Mulher, participou da mobilização conhecida como Lobby do Batom durante a Constituinte e esteve à frente das Promotoras Legais Populares, iniciativa de formação de mulheres sobre seus direitos e o acesso à Justiça.

Também integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e participou dos trabalhos da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”. Sua trajetória esteve ligada ainda à busca pela identificação das vítimas encontradas na vala clandestina do Cemitério de Perus.

Como escritora, deixou obras dedicadas à história das mulheres, ao feminismo e às experiências de resistência, entre elas Breve História do Feminismo no Brasil, O que é violência contra a mulher e Contos da Cela Três.

Seu nome permanece na história do feminismo brasileiro, na defesa dos direitos humanos e na luta para que os crimes da ditadura sejam conhecidos pelas novas gerações. Amelinha Teles, presente, hoje e para todo sempre.

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