Quando o domingo amanhece cinzento, a gente tem a sensação que a vida vai passar em câmera lenta, mas, diante da loucura que é viver em São Paulo, um dia cinza, calmo e fresquinho deve ser apreciado, principalmente se for no domingo, porque dá para apreciar tudo isso pela janela, sem pressa, sem lado esquerdo da escada rolante, sem horas perdidas no trânsito. Somente a contemplação de um dia calmo.
Massss, não menos que somente um mas, do meu ponto de vista de paulistana, nem sempre eu precisei desse tempo de calma. Os dias eram muito mais agitados, se estivesse sol o destino era um agito qualquer, se fosse chuvoso, também encontrava um destino com abrigo, mas não menos desejado, e os dias nublados nunca foram motivo para a calma tomar conta de mim. Talvez fosse a urgência da juventude ou somente um desejo incontrolável de tomar a vida num gole só.
De ironias em ironias, dessas que parecem as mais desconectadas, que a vida nos prega, e esse descompasso é só do ponto de vista dos humaninhos, porque a vida sabe exatamente quando, onde, como, porque, com quem e o que vai te trazer direitinho, sempre, sem atraso, somente no tempo certo, aquele tempo que já foi instituído lá, no Big Bang, ou quando éramos somente um projeto do Eu Sou. Quando se é jovem e tem a vida inteira pela frente, temos pressa de viver, mas quando estamos da metade para o final dessa jornada maravilhosa, queremos contemplar, sem pressa alguma, todo o caminho. E é aqui que começa a verdadeira beleza, saber que A VIDA PASSA NO SEU TEMPO CERTINHO.
E agora eu pergunto para você, como você tem vivido os seus dias nessa viagem? Claro que eu jamais te faria essa pergunta em tom de cobrança, aquela cobrança insuportável da Simone te perguntando “Então, é Natal, e o que você fez…?”, que enlouquece todos os seres vivos que passam correndo pelas portas das Lojas Americanas para não ter que ouvir essa cobrança infundada, mas que a resposta está na ponta da nossa língua: EU FIZ O QUE DEU.
E assim, de ano em ano, nós vamos fazendo o dá para aquele momento. Você é criança e não tem nenhum controle sobre sua vida, porque tem um adulto te ensinando os caminhos, daí faz o que dá. Quando se é adolescente, você é ensinado, cobrado e vigiado, então faz o que dá. Aí vem a vida jovem de adulto, e você se sente livre… pura enganação, porque aí começam os compromissos e as cobranças de escolher uma profissão para o resto da vida, do trabalho que te cobra muito e você ganha pouco, se tem namorado, quando vai casar e ter filhos, agora você tem liberdade, mas não tem dinheiro, daí você aos trancos e barrancos, segue fazendo o que dá.
Finalmente, você chega no ápice da sua vida adulta, agora você tem financiamento de casa, carro, cuida dos filhos, suas prioridades mudam, segue casada ou se divorcia, isso nem é tão relevante assim, porque a vida adulta é tão sufocante, que você só quer aqueles minutos de um xixi demorado para descansar os sentidos… E segue fazendo o que dá.
Bem, quando você para para pensar, como num piscar de olhos, os filhos começaram a seguir as suas próprias vidas, você já viveu sobrecarregada mais que o suficiente por décadas, mas está chegando na fase onde o cansaço tomou conta de tudo e tem o dia D, o dia em que você decide que é hora de deixar a vida fora do modo “fiz o que deu” e resolve que somente nessas suas quase cinco décadas de vida, haverá tempo para ser quem você é, mas não tinha tido tempo para ser.
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Antes que os quase 50 anos te dê indigestão, hoje, os 50 são os novos trinta, porque nossa expectativa de vida mudou, e uma mulher, assim como eu, ou um homem, como conheço muitos, está chegando na metade de vida e agora poucas coisas importam mais do que nós para nós mesmos. Veja bem, isso aqui não é crítica, não tem cunho de julgamento, é só um momento nosso, que podemos falar de algumas coisas sem a pressa de pegar filho na escola, sem a correria do sinal de alarme tocando loucamente e te arrancando do soninho bom para a pele… É somente um chamado para RECOMEÇAR… É uma necessidade de se reconhecer como indivíduo, se se refazer.
Eu gosto de pensar na etimologia da palavra, e mesmo que não seja exatamente a que a língua me mostra como regra, eu posso muito bem me colocar com uma neologista e criar palavras, etimologias e ilações para eu elas façam sentido para mim. Liberdade poética (risos).
Veja isso… RE COMEÇO… o que a palavra escrita dessa forma te faz pensar? A mim, faz pensar que recomeçar é dar ré, dar um passo atrás, resgatar o tesão que eu tinha antes de todas músicas ficarem me perguntando o que eu fiz e eu dizendo que eu fazia o que dava. Mas essa ré é momentânea, como a marcha à ré do carro, que você usa por poucos metros e para fazer manobras estratégicas. Em seguida, vamos ver o começo, você deu ré, ajustou o encaixe perfeito para esse tempo e agora é uma pessoa pronta para o começo, o começar de novo, livre, pronta para viver agora a vida que você queria, ainda quer e pode fazer, como se nessa nova viagem você pudesse engatar todas as outras marchas que de fato colocam o carro para andar, andar adiante, rumo ao horizonte…
E se eu sentir medo, Claudia? E se eu não…? E se…? “E se” só te faz perder tempo e saúde. Lembra que a vida inteira você foi uma pessoa guiada para um fim que não era o seu, para atender as expectativas sociais, familiares e resolver o que dava. Agora, você está tendo a oportunidade de viver o AGORA SIM, e você vai voltar para a condicionante “quando der?”, “fiz o que deu”… Não, essa é a sua hora, você ainda tem tempo, energia e muita bagagem para colocar os seus sonhos para a frente… Só vá, engate a primeira e comece de novo, sem medo, sem “e ses”. Vá!!!
Ou você pretende esperar a próxima vida para fazer? E SE ela não existir…? VIVA HOJE, FAÇA ACONTECER HOJE, um dia de cada vez.
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Em tudo, lembre-se que FELICIDADE é uma construção e precisa de um tijolinho todos os dias.
Beijo da Linda para você, até a próxima.








