O plano que poderia ter transformado uma noite de celebração em uma tragédia terminou com uma sentença de 15 anos de prisão. Na última quinta-feira (28), a Justiça da Áustria condenou um jovem de 21 anos por arquitetar um atentado terrorista contra um dos shows da cantora Taylor Swift em Viena, em 2024.
LEIA TAMBÉM: Roberto de Carvalho se emociona em peça em homenagem a Rita Lee
Identificado apenas como Beran A., devido às rígidas leis de privacidade do país, o austríaco foi considerado culpado por diversos crimes relacionados ao terrorismo. A condenação encerra um dos casos mais chocantes envolvendo a turnê da artista, que levou multidões ao redor do mundo e quase teve um capítulo marcado pela violência.
O jovem foi preso em 7 de agosto de 2024, um dia antes da primeira de três apresentações que Taylor realizaria na capital austríaca. A descoberta do plano levou ao cancelamento imediato dos shows, gerando comoção internacional e deixando milhares de fãs sem a experiência tão aguardada. Na época, muitos admiradores da cantora se reuniram espontaneamente pelas ruas de Viena para cantar músicas da artista e demonstrar apoio uns aos outros diante da frustração coletiva.
Meses depois, diante do tribunal em Wiener Neustadt, cidade ao sul de Viena, Beran A. admitiu ter participado do planejamento do atentado. Ao entrar na sala de audiência, cobriu o rosto com uma pasta para evitar ser fotografado. Em sua declaração final, limitou-se a dizer: “Eu gostaria apenas de dizer que sinto muito”.
As investigações revelaram que o jovem tentou adquirir ilegalmente armas de grande poder destrutivo, incluindo uma metralhadora e uma granada de mão. Sem sucesso, ele recorreu a conteúdos de propaganda extremista do grupo terrorista Estado Islâmico e seguiu instruções de um vídeo que ensinava a fabricar explosivos caseiros. Segundo os investigadores, ele conseguiu produzir uma pequena quantidade de TATP, substância frequentemente associada a atentados terroristas.
O caso também trouxe à tona uma rede de radicalização mais ampla. Durante o julgamento, surgiram evidências de que Beran A. e outro réu, Arda K., haviam discutido e planejado ataques separados em cidades do Oriente Médio no início de 2024. Ambos viajaram para destinos diferentes com a intenção de cometer atentados, mas acabaram desistindo antes de agir.
Em depoimento prestado anteriormente, Beran A. afirmou que chegou a percorrer ruas de Dubai em busca de possíveis vítimas para um ataque com faca. No entanto, segundo ele, sofreu uma crise de pânico e abandonou a ideia. Ao retornar para Viena, passou a considerar o show de Taylor Swift como alvo.
A defesa tentou argumentar que o jovem não exercia liderança dentro de grupos extremistas e que sua influência sobre outros envolvidos era limitada. “Beran não é um líder. Ele não é uma mente ideológica brilhante”, declarou sua advogada, Anna Mair, durante as alegações finais.
O júri, porém, teve entendimento diferente. Beran A. foi considerado culpado em 13 das 15 acusações apresentadas pela promotoria, incluindo apoio moral a um terceiro suspeito detido na Arábia Saudita por um ataque ocorrido na cidade sagrada de Meca.
O segundo réu do processo, Arda K., também foi condenado. Considerado culpado de todas as acusações, ele recebeu uma pena de 12 anos de prisão.
Para os fãs de Taylor Swift, o episódio permanece como uma lembrança de quão próximo um dos maiores eventos musicais do ano esteve de se transformar em uma tragédia. A própria cantora classificou o cancelamento dos shows como “devastador”, refletindo o impacto que a ameaça causou não apenas na organização da turnê, mas também em uma comunidade de fãs acostumada a celebrar a música como um espaço de encontro e segurança.









