Combustíveis fósseis pressionam economia global e podem acelerar transição energética, alerta ONU

A crise provocada pelos combustíveis fósseis tem exercido forte pressão sobre a economia global e pode, paradoxalmente, acelerar a transição para fontes renováveis. A avaliação é do secretário-executivo da Organização das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (ONU), Simon Stiell, durante a abertura do Diálogo de Alto Nível pela Transição Energética, realizado no dia 30 de abril, em Paris.

No discurso, Stiell afirmou que o aumento dos custos energéticos coloca “o pé na garganta da economia global”, em um cenário de avanço da estagflação. Segundo ele, a instabilidade é intensificada pela guerra no Oriente Médio, que tem impacto direto sobre preços e cadeias de suprimento em diversos países.

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O encontro, organizado pela presidência da COP31 em parceria com a Agência Internacional de Energia, reúne representantes de governos, setor produtivo, mercado financeiro e sociedade civil para discutir caminhos rumo à transição energética antes da conferência climática de novembro, em Antalya, na Turquia.

Crise impulsiona energia limpa, mas expõe riscos

Apesar do cenário adverso, Stiell destacou que a crise também tem impulsionado investimentos em energia limpa. Em 2025, os aportes no setor já se aproximavam do dobro daqueles destinados aos combustíveis fósseis. A geração solar, por exemplo, cresceu mais de 600 terawatts-hora, avanço classificado como “colossal”, embora ainda desigual entre países.

Na avaliação do secretário, nações com maior participação de renováveis, como Espanha e Paquistão, têm conseguido amortecer os efeitos mais severos da crise. Ele também citou a ampliação do financiamento à eletrificação na França como resposta estratégica.

Governos estão acelerando seus planos de energias renováveis para garantir segurança nacional, estabilidade econômica e autonomia”.

Por outro lado, Stiell alertou para o risco de que o cenário atual seja usado como justificativa para A. Ele defendeu romper o vínculo entre os preços da eletricidade e essas fontes, permitindo que o menor custo das energias renováveis seja repassado ao consumidor.

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Entre as prioridades imediatas, o secretário destacou o aumento dos investimentos em redes elétricas e armazenamento, além da redução das emissões de metano, gás de alto impacto climático. Também chamou atenção para efeitos indiretos do conflito geopolítico, como a escassez de fertilizantes, que pode levar cerca de 45 milhões de pessoas à fome aguda em 2026.

Para países em desenvolvimento, Stiell reforçou a necessidade de destravar o financiamento climático internacional, incluindo a meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão por meio de um novo acordo global. Segundo ele, iniciativas como reuniões recentes em Santa Marta, na Colômbia, indicam avanço de coalizões voltadas à eliminação gradual dos combustíveis fósseis.

O secretário concluiu destacando a urgência de transformar compromissos em ações concretas antes das próximas conferências climáticas.

Não temos tempo a perder”, afirmou.

Autor

  • Giovanna Cazuza

    Apaixonada por economia, futebol e música. Capricorniana raiz e meio sagitariana.

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