Com quase dois meses de antecedência, a exposição Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade, que estava em cartaz no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, foi encerrada no dia 31 de maio.
A exposição foi inaugurada em novembro de 2025. No acervo, constavam 473 obras, incluindo arte, fotografias, itens de vestuário que celebravam a cultura do funk paulista, além de registros audiovisuais sobre a trajetória desse gênero musical nas periferias brasileiras. O encerramento antecipado gerou polêmica entre os defensores da cultura funk.
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Nas redes sociais, a curadora da mostra, Renata Prado, emitiu uma carta aberta em que criticou a decisão do Museu da Língua Portuguesa, alegando censura ao conteúdo do evento:
“Ninguém do governo do Estado ou do MLP falou comigo, não houve diálogo para pensarmos um caminho. Sofremos um ataque sistemático e não conseguimos nos defender”.
Renata afirmou ainda que a interrupção da mostra ocorreu após vídeos de parlamentares da extrema-direita atacarem a exposição. Nos vídeos, segundo a curadora, haviam acusações de apologia ao crime e drogas.
Um dos vídeos mais compartilhados foi do deputado estadual Tenente Coimbra (PL), que denunciou a exposição nas suas redes sociais, alegando que a curadoria fomentava a narcocultura.
Além disso, segundo o site Metrópoles, o vereador Lucas Pavanato (PL) e o pré-candidato a deputado estadual Felipe Sertanejo (PL) entraram com uma denúncia no Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra a mostra.
Ainda na carta aberta, Renata Prado declarou:
“É censura. E existe uma dimensão profundamente simbólica nesse episódio. Estamos falando de uma exposição realizada no Museu da Língua Portuguesa, uma instituição dedicada à valorização das múltiplas formas de expressão que compõem nossa cultura. O funk também produz linguagem. Produz vocabulários, códigos e formas de comunicação que influenciam milhões de pessoas. Por isso, quando uma manifestação cultural periférica é silenciada, a pergunta que permanece é: quem decide quais vozes merecem ocupar os espaços de memória do país? Defender o funk é, também, defender a legitimidade das expressões jovens, negras e periféricas. É defender a vida de todo pobre loko que encontra nas culturas negras uma forma de existir. Seguimos em luta”.
Em nota, o Museu da Língua Portuguesa informou que o encerramento da mostra teve o intuito de “possibilitar a realização de duas novas mostras ainda neste ano”.
Em cerca de seis meses de exposição, conforme apontou a curadora Renata Prado, a mostra Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade recebeu cerca de 180 mil pessoas, tornando-se a terceira mais visitada na história do Museu da Língua Portuguesa desde a sua reabertura.









