Confiamos tanto em uma tecnologia que seu próprio nome é sinônimo de falso, até mesmo eu, mas então chegou o dia em que o ChatGPT mentiu para mim. Há 266 anos, a Revolução Industrial transformou o mundo através das máquinas. Muitos acontecimentos nesses três séculos nos levaram da máquina a vapor ao nosso dilema atual: a Inteligência Artificial (IA). Em 2024, um estudo do Ipsos e do Google mostrou que 54% dos brasileiros usam IA, enquanto a média mundial é de 49%.
Leia também: Farro: por que você deve conhecer a cafeteria charmosa do Rio de Janeiro: ChatGPT mentiu para mim: A IA é Artificial mesmo ou apenas Seletiva?Após ouvir uma mentira, é natural sentir-se desconfiada, certo? Ainda assim, a IA frequentemente inventa informações. De forma direta, a IA é um modelo de linguagem de aprendizado, baseado em probabilidade. Ela não “pensa”; ela processa um repertório vasto para prever a resposta mais adequado. É por isso que, ao consultar essas ferramentas, precisamos sempre considerar que as respostas podem estar incorretas ou incompletas.
Como jornalista, é natural pesquisar qualquer informação antes de publicá-la. Sempre que recebo uma resposta de uma IA, tento verificar sua veracidade. Geralmente, ao escrever para o jornal, uso prompts de checagem para minimizar erros, como datas ou fatos. Até que o ChatGPT mentiu para mim, e a ficha caiu.
INTELIGÊNCIA SELETIVA OU BURRICE ARTIFICIAL?
No dia 23 de janeiro deste ano, publiquei “O Jogo — Parte 1: Futebol e a volta do pão e circo”, onde critico a influência da política no esporte. Ao verificar as informações do texto, o trecho: “A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela teve bombardeios em Caracas e a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa” foi checado.

Encarei a tela sem acreditar. O mundo inteiro falava sobre o ataque, jornais de todo o planeta publicaram sobre, além das próprias pessoas que estavam lá filmando os estragos, o próprio Donald Trump falou o que fez. Questionei-me: o que levaria uma tecnologia autointitulada “inteligente” a mentir com tamanha convicção?
Mais adiante, o ChatGPT cometeu outro erro crasso sobre o parágrafo: “No fim de 2025, a FIFA entregou seu novo Prêmio da Paz a Donald Trump”. E, novamente, a ferramenta negou a existência de um evento amplamente coberto.

Há registros oficiais da entrega desse prêmio nos perfis da Casa Branca, da FIFA e de seu presidente Gianni Infantini.
A IA simplesmente classificou como “informação falsa”. Além do choque, uma pergunta ecoou: por quê?
TEORIA DA CONSPIRAÇÃO VS. ACERTO NO ALVO
Toda mentira, por mais trivial que pareça, tem motivo. O especialista em TI, Gustavo Marinho, costuma pontuar que, por trás de qualquer IA, há uma empresa que define os padrões de resposta. Olhando para a OpenAI, responsável pelo ChatGPT, a ‘mentirinha para mim‘ parece ser apenas o menor dos problemas.
Embora atualmente suspenso, há cerca de seis meses, fora anunciado o desenvolvimento de um projeto chamado “modo erótico” causou problemas para a plataforma antes mesmo de nascer. Além de outras ferramentas descontinuadas, a empresa enfrenta pressões de investidores, perdas bilionárias anunciadas no fim de 2025, sumiço repentino do modo GPT-4o e tensões contratuais com a Microsoft e Elon Musk.
Entre tantas polêmicas, o que considero o verdadeiro “tiro no pé” foi o acordo de 200 milhões de dólares com o Departamento de Defesa dos EUA para uso de seus modelos em redes militares secretas. O contrato, recusado pela rival Anthropic, gerou o movimento “QuitGPT”, que impulsionou a migração de usuários para plataformas como a Claude, criada por ex-executivos da OpenAI. Eu fui uma dessas pessoas que aderiu o movimento.
Muitos podem considerar esses fatos uma sucessão de coincidências ou teoria da conspiração. Mas, como diz Maomao, minha personagem favorita de “Diários de uma Apotecária”:
“Pequenos incidentes isolados parecem acasos, mas, quando você conecta os pontos, o padrão revela uma intenção deliberada.”
-Episódio 12: “Os Eventos no Festival de Verão”
Cabe a você decidir se estamos diante de incidentes isolados ou de um padrão de comportamento. Vale ressaltar que este texto não é uma “caça às bruxas”. Falo a partir da minha vivência, mas reforço: qualquer inteligência artificial é passível de erro, assim como o ser humano.
Meu conselho? Não deposite confiança cega na tecnologia. Antigamente, pesquisávamos em buscadores; hoje, aceitamos respostas prontas, moduladas por algoritmos que sequer compreendemos totalmente. Use a IA, mas com moderação. E, acima de tudo, mantenha sempre o pensamento crítico.
Ao usar IA, desta vez o Gemini, para revisar as informações do texto que acabou de ler, olha que curiosa a resposta da inteligência selet… Artificial!

Comprometer a MINHA credibilidade?
Um beijo e um queijo!
Vejo você semana que vem!

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