A crise climática deixou de ser uma ameaça futura e já afeta diretamente a saúde de gestantes, recém-nascidos e crianças no Brasil. A exposição ao calor extremo, à poluição do ar e às queimadas vem agravando complicações gestacionais e elevando a incidência de partos prematuros, segundo alerta da ONG Prematuridade.com.
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De acordo com dados citados pela organização, o impacto do aquecimento global sobre a saúde materno-infantil já é mensurável. O relatório Lancet Countdown 2025 aponta que o calor extremo provoca cerca de 550 mil mortes por ano no mundo. No Brasil, estudo conduzido pela Fiocruz Bahia em parceria com a London School of Hygiene & Tropical Medicine estima que as mortes de crianças menores de cinco anos associadas ao calor podem aumentar em até 87% nas próximas décadas.
Pesquisas recentes indicam que fatores climáticos extremos estão diretamente ligados ao aumento da prematuridade. Levantamento da Fundação Getulio Vargas mostrou que a exposição a queimadas no Sudeste brasileiro, ainda no primeiro trimestre da gestação, elevou em até 31% o risco de parto prematuro, além de comprometer o peso ao nascer e outras condições neonatais. Para Denise Suguitani, diretora-executiva da ONG, trata-se de uma emergência silenciosa. “As mudanças climáticas aumentam o risco de parto prematuro, afetam o desenvolvimento fetal e ameaçam a vida dos bebês”, afirma.
O obstetra Arlley Cleverson, ginecologista e membro do conselho científico da Organização, explica que o calor intenso pode provocar desidratação, desconforto materno e alterações no bem-estar da gestante, influenciando a evolução da gravidez e até a dinâmica do trabalho de parto. Segundo ele, embora ainda não existam protocolos formais no pré-natal que abordem especificamente a crise climática, já há evidências suficientes para exigir atenção redobrada.
Entre as orientações destacadas pelo especialista estão a hidratação adequada, permanência em ambientes ventilados, uso de roupas leves e a redução da exposição solar nos horários mais quentes do dia. Em casos de gestantes com histórico de prematuridade, os cuidados devem ser ainda mais rigorosos, com acompanhamento de pré-natal de alto risco e monitoramento frequente, mesmo durante períodos de calor extremo.
Os recém-nascidos, especialmente os prematuros, também figuram entre os mais vulneráveis. Bebês prematuros apresentam mecanismos fisiológicos imaturos, como regulação térmica e sistemas respiratório e imunológico, o que os torna mais sensíveis tanto ao superaquecimento quanto ao ar seco e às altas temperaturas. Nesse contexto, o aleitamento materno, ambientes bem ventilados e a proteção contra exposição solar são medidas consideradas essenciais.









