O Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação criminal para apurar a contratação de uma empresa de segurança supostamente irregular pelo Corinthians. O caso envolve pagamentos que somam R$ 676,6 mil à empresa Mega Assessoria Operacional Ltda, responsável por atuar na segurança de estruturas ligadas ao clube paulista entre setembro e outubro de 2025.
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Segundo informações divulgadas inicialmente, a principal suspeita é de que a empresa não possuía autorização da Polícia Federal para prestar serviços de segurança privada, requisito obrigatório previsto na legislação brasileira. Além disso, a investigação aponta que não teria existido contrato formal entre o Corinthians e a companhia.
A Mega Assessoria Operacional Ltda está registrada em nome de Fernando José da Silva, funcionário ligado ao Corinthians e que exercia função de gerente operacional no clube social. Atualmente, ele atua no CT Joaquim Grava. O Ministério Público quer entender se houve conflito de interesses na contratação e se os procedimentos administrativos internos do clube foram respeitados.
De acordo com a investigação, o Corinthians realizou três pagamentos à empresa por meio de notas fiscais emitidas em sequência. Os valores foram de R$ 244.627,66, R$ 208.350,00 e R$ 223.650,00. Os serviços teriam sido destinados à segurança do Parque São Jorge, do CT Joaquim Grava e também do centro de treinamento das categorias de base.
Em posicionamento anterior sobre o caso, o clube alegou que precisou agir em caráter emergencial após episódios de invasão ocorridos no Parque São Jorge em maio de 2025, quando apoiadores do então presidente Augusto Melo invadiram áreas administrativas do clube. A diretoria argumenta que a troca da equipe de segurança ocorreu diante da necessidade de reforçar a proteção patrimonial e operacional das dependências corintianas.
A nova investigação aumenta ainda mais a pressão sobre os bastidores políticos do Corinthians, que já convivem com uma sequência de apurações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo. Nos últimos meses, o órgão também passou a investigar supostos gastos irregulares com cartões corporativos, utilização de empresas de fachada, emissão de notas fiscais suspeitas e possíveis desvios financeiros em gestões anteriores.
Outro caso recente envolve o ex-chefe de segurança do clube, João Odair de Souza, conhecido como “Caveira”. Segundo o MP, ele teria recebido mais de R$ 3,4 milhões em dinheiro vivo entre 2018 e 2023 sem comprovação adequada dos gastos realizados. O Ministério Público chegou a denunciar ex-dirigentes e ex-funcionários do Corinthians por suposta apropriação indébita e omissão administrativa.
As investigações conduzidas pelo promotor Cássio Roberto Conserino também avançaram sobre suspeitas envolvendo possíveis relações entre integrantes do clube e pessoas investigadas por ligação com o crime organizado. Em outra frente, o MP apura supostas conexões indiretas entre o Corinthians e integrantes do PCC, além de movimentações financeiras consideradas atípicas em administrações recentes.
Até o momento, não há denúncia formal apresentada no caso específico da empresa de segurança. A Promotoria segue reunindo documentos, contratos, notas fiscais e depoimentos para determinar se houve ilegalidade na contratação e eventual responsabilidade de dirigentes e funcionários do clube.
O Corinthians ainda não se pronunciou oficialmente após a abertura da nova investigação.









