Cinquenta e quatro anos após ser morto pela ditadura militar brasileira e enterrado como indigente na vala clandestina do Cemitério Dom Bosco, em Perus, Grenaldo de Jesus da Silva finalmente recebeu um sepultamento digno na manhã de sexta-feira (26). A cerimônia reuniu familiares, ex-presos políticos, militantes de direitos humanos e autoridades, transformando o momento em um ato de memória, reparação e reafirmação da luta por verdade e justiça.
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O cortejo foi marcado por forte emoção. Enquanto o caixão seguia em direção à sepultura, os presentes entoaram a canção “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores” de Geraldo Vandré, símbolo da resistência à ditadura. Sobre o túmulo foi instalada uma placa com a fotografia de Grenaldo, sua história e agradecimento a todos que lutaram pela memória de Grenaldo e de tantos outros.
Filho de Grenaldo, que recebeu o mesmo nome do pai, afirmou que o sepultamento representa o fim de uma espera que atravessou gerações. Em uma homenagem emocionante, destacou que a ausência do pai marcou toda a sua vida e expressou o desejo de que outras famílias também possam encontrar seus entes queridos e lhes proporcionar um descanso digno.
Grenaldo, maranhense e ex-marinheiro, foi preso após o golpe de 1964 por reivindicar melhores condições de trabalho na Marinha. Depois de fugir da prisão, passou a viver na clandestinidade. Em 30 de maio de 1972, morreu durante uma ação no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. À época, a versão oficial divulgada pela ditadura afirmava que ele havia cometido suicídio, narrativa posteriormente contestada por familiares, ex-presos políticos e entidades de direitos humanos, que reconheceram sua morte como resultado da repressão política.

Foto: Jackeline Macedo – Cartão homenagem a Grenaldo de Jesus – Cemitério Dom Bosco em Perus
A cerimônia foi resultado do trabalho conjunto da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos de São Paulo, do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense da Unifesp e de outras instituições envolvidas na identificação das ossadas encontradas na vala clandestina de Perus.









