Estresse crônico pode afetar o coração e aumentar risco de infarto, alerta especialista

O estresse cotidiano, muitas vezes tratado como algo emocional ou inerente à rotina moderna, pode ter impactos diretos e profundos na saúde cardiovascular. Segundo o médico Dr. Adriano Faustino, especialista em metabologia e medicina funcional, a resposta do organismo ao estresse é fisiológica e afeta diretamente o funcionamento do coração e dos vasos sanguíneos.

“O estresse não é apenas emocional, ele é fisiológico. Ele age diretamente sobre o coração”, afirma o especialista, que também é diretor da Sociedade Brasileira de Medicina da Longevidade. De acordo com ele, o corpo humano não foi projetado para permanecer em estado constante de alerta, condição cada vez mais comum na vida contemporânea.

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Quando o estresse se torna crônico, o sistema nervoso simpático permanece ativado, elevando de forma contínua hormônios como cortisol e adrenalina. Esse processo provoca aumento da pressão arterial, inflamação das artérias e danos ao endotélio, camada interna dos vasos sanguíneos onde se inicia o processo de entupimento que pode levar ao infarto. “O coração não foi feito para viver em emergência permanente”, alerta o médico.

Segundo o Dr. Adriano, o impacto do estresse sobre o sistema cardiovascular ocorre principalmente de duas formas. A primeira é a reatividade crônica, caracterizada pelo desgaste progressivo do coração ao longo do tempo, favorecendo inflamações, disfunções metabólicas e maior risco de eventos cardíacos.

“O corpo não entende discurso. Ele entende hormônio, descarga química”, reforça.

A segunda forma são os gatilhos agudos, episódios intensos de estresse emocional que podem atuar como um estopim. Nesses casos, a descarga abrupta de adrenalina pode causar espasmo das artérias coronárias, elevação súbita da pressão arterial e até desencadear um infarto, especialmente em pessoas com artérias já fragilizadas.

“Muitas vezes o infarto acontece depois de um choque emocional intenso, porque o coração já estava vulnerável”, explica.

As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil, com cerca de 400 mil óbitos por ano, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia citados no estudo. Embora fatores como hipertensão, sedentarismo e tabagismo sejam amplamente conhecidos, cresce o reconhecimento do papel do estresse e da saúde mental como fatores de risco relevantes para infarto e AVC.

Pesquisas citadas no material indicam que pessoas submetidas a altos níveis de estresse apresentam maior probabilidade de desenvolver doença arterial coronariana, além de maior risco de novos eventos cardíacos após um infarto. Ansiedade e depressão também estão associadas a processos inflamatórios e alterações hormonais que sobrecarregam o coração.

Para o especialista, um dos principais problemas é a normalização do estresse extremo. “A pessoa diz que está só sob pressão, no limite, aguentando firme. Mas o corpo cobra”, observa. O organismo não diferencia estresse emocional de estresse físico. Em ambos os casos, ocorre uma resposta hormonal capaz de comprometer a saúde cardiovascular.

Além disso, o estresse tende a se associar a comportamentos de risco, como tabagismo, alimentação desequilibrada, sedentarismo e ganho excessivo de peso, fatores que potencializam ainda mais o risco de doenças cardíacas quando combinados.

Controlar o estresse é uma estratégia essencial de prevenção cardiovascular, e não um luxo. Sono adequado, atividade física, acompanhamento psicológico e mudanças no estilo de vida ajudam a reduzir a sobrecarga hormonal sobre o coração. “Tudo tem limite. O corpo sempre dá sinais antes de colapsar”, conclui Faustino.

Autor

  • Rowena Romagnoli

    22 anos de existência. Diretora das editorias de economia e tecnologia do portal Ponto360. Graduanda em jornalismo pela Estácio de Sá, atuando -também- em assessoria de imprensa há pouco mais de 1 ano.

    Apaixonada por tudo aquilo que traz felicidade à mente e ao corpo. Nas horas vagas, mãe de um lindo gato preto.

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