A inteligência artificial se popularizou nos últimos anos por meio de ferramentas generativas como o ChatGPT. No entanto, longe dos holofotes, a tecnologia vem ganhando espaço em aplicações práticas dentro da indústria, especialmente na manutenção de equipamentos. O desafio é que muitas empresas ainda não conseguem transformar o interesse pela IA em ganhos reais para a operação.
A dificuldade não é pequena. O relatório State of Industrial Maintenance 2026, da MaintainX, aponta que 36% dos líderes de manutenção atribuem o aumento das paradas não planejadas à falta de mão de obra, enquanto 28% citam a escassez de profissionais com as habilidades necessárias. Além disso, 39% das empresas afirmam que o custo das interrupções não planejadas aumentou nos últimos 12 meses.
Ao mesmo tempo, a adoção da inteligência artificial avança rapidamente. Segundo o mesmo levantamento, 58% das equipes de manutenção já utilizam IA em suas operações, e 75% relatam retorno sobre investimento em menos de seis meses.
Nesse cenário, a Melvin aposta em aplicações específicas para resolver problemas históricos da manutenção industrial. Em vez de utilizar a inteligência artificial apenas como ferramenta de consulta, a empresa incorporou a tecnologia diretamente aos processos de gestão, planejamento e monitoramento de ativos.
Uma das soluções desenvolvidas pela empresa utiliza IA para calcular a confiabilidade dos equipamentos. A funcionalidade analisa dados operacionais e ajuda os gestores a identificar quais ativos apresentam maior risco de falha, permitindo decisões mais assertivas sobre intervenções e investimentos em manutenção.
Outra aplicação atua na programação semanal das equipes. A inteligência artificial aprende com o histórico de planejamento realizado pelos profissionais e passa a organizar automaticamente a distribuição das ordens de serviço, considerando padrões de execução, disponibilidade e comportamento operacional. O objetivo é reduzir o tempo gasto em atividades administrativas e aumentar a produtividade das equipes.
A plataforma também conta com uma IA generativa treinada exclusivamente com a base de conhecimento da Melvin. Além de responder dúvidas dos usuários sobre manutenção e gestão de ativos, a ferramenta recomenda conteúdos, treinamentos e vídeos relacionados ao tema pesquisado, funcionando como um especialista digital disponível durante toda a jornada do usuário.
Já no chão de fábrica, algoritmos de inteligência artificial analisam dados captados por sensores de vibração e temperatura para identificar sinais precoces de falhas. A tecnologia permite detectar anomalias antes que elas provoquem interrupções na produção, reduzindo custos e aumentando a disponibilidade dos equipamentos.
A maturidade na aplicação dessas tecnologias foi um dos pontos destacados durante o recente processo de recertificação da Melvin nas normas ISO 9001, ISO 27001 e ISO 27701, voltadas respectivamente para gestão da qualidade, segurança da informação e privacidade de dados.
“Existe muito entusiasmo em torno da inteligência artificial, mas nem sempre ela é aplicada de forma estratégica. Durante nossa auditoria de recertificação, um dos pontos elogiados foi justamente a forma como utilizamos a IA para resolver problemas reais dos nossos clientes e também para otimizar processos internos. A tecnologia só faz sentido quando gera resultado concreto para a operação”, afirma Eymard Barroso, cofundador da Melvin.
Para o executivo, a tendência é que a inteligência artificial deixe de ser vista como uma inovação isolada e passe a integrar a rotina das indústrias de forma cada vez mais natural. “O futuro da manutenção não está em substituir pessoas, mas em potencializar a capacidade dos profissionais. A IA permite que as equipes gastem menos tempo com tarefas repetitivas e mais tempo tomando decisões estratégicas que impactam diretamente os resultados do negócio”, conclui.









