A estética está entrando em uma fase menos marcada pelo excesso. Depois de anos em que lábios volumosos, contornos faciais muito definidos e rostos com poucas marcas de expressão dominaram referências nas redes sociais, a procura por procedimentos que mantenham a identidade do paciente ganha espaço. A ideia agora é cuidar, rejuvenescer e melhorar a aparência sem deixar evidente que houve uma intervenção.
O movimento acompanha uma mudança na própria percepção de beleza. Dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) mostram que os procedimentos não cirúrgicos continuam entre os mais realizados no mundo. Em 2024, foram registrados mais de 20 milhões de procedimentos estéticos não cirúrgicos globalmente, com destaque para toxina botulínica e ácido hialurônico.
Para a dermatologista Dra. Gabriela Itimura, CRM/PR 30730 e RQE 21012, parceria da PinkMed, a procura atual não significa que os pacientes estejam deixando os procedimentos de lado, mas que as expectativas mudaram.
“Hoje, muitas pessoas chegam ao consultório querendo melhorar algum aspecto do rosto, mas sem perder suas características. Existe uma preocupação maior em continuar parecendo consigo mesma”, afirma.
Na prática, isso muda também a conversa durante a consulta. Em vez de buscar um padrão pronto, o paciente passa a discutir quais pontos realmente incomodam e quais intervenções podem trazer equilíbrio. A quantidade de produto, a região tratada e a combinação entre diferentes técnicas precisam considerar a anatomia e as características de cada pessoa.
A influência das redes sociais ajuda a explicar essa mudança. Com a popularização dos filtros e das imagens excessivamente editadas, tornou-se mais difícil distinguir uma aparência real de uma imagem produzida. Ao mesmo tempo, cresce a valorização de rostos que mantêm movimento, expressão e características individuais.
A tendência também coloca a segurança no centro da discussão. Em 2026, a Anvisa reforçou orientações sobre o uso de preenchedores dérmicos e destacou que aplicações fora das indicações aprovadas, inclusive em relação a regiões e volumes, podem aumentar o risco de complicações.
“Um resultado natural não significa necessariamente fazer pouco. Significa entender o que aquele rosto precisa e respeitar os seus limites. Muitas vezes, a diferença está justamente na indicação e na proporção”, explica a Dra. Gabriela.
Nesse cenário, a naturalidade passa a ter um valor diferente. Não se trata de rejeitar a estética, mas de utilizar os recursos disponíveis sem transformar procedimentos em uma tentativa de reproduzir um mesmo padrão de beleza. O que antes era associado à ausência de intervenção começa a ser entendido como resultado de uma intervenção bem planejada.
A mudança representa também um desafio para os profissionais. Com pacientes mais informados e maior oferta de tratamentos, a avaliação individual ganha importância para evitar decisões baseadas apenas em tendências. Para a Dra. Gabriela, o papel do dermatologista é justamente separar aquilo que é uma necessidade real daquilo que é apenas uma referência passageira.
“A estética não precisa apagar as características de uma pessoa para trazer uma melhora. O objetivo deve ser fazer com que ela se sinta bem com a própria imagem, sem deixar de reconhecer quem vê no espelho”, completa a médica parceira da PinkMed.








