Base governista quer que Departamento de Justiça libere todos os documentos do caso, apesar da resistência da Casa Branca
O governo do presidente Donald Trump sofreu um grande choque com o retorno de velhos e conhecidos problemas. Quando a Casa Branca estava prestes a comemorar uma importante vitória na quarta-feira (12), o fim da mais longa paralisação federal dos Estados Unidos – o shutdown, mensagens divulgadas pela oposição democrata sugeriram que Trump sabia do esquema de tráfico humano e abuso sexual comandando pelo financista Jeffrey Epstein.
A Câmara dos EUA deve votar um projeto exigindo a liberação de todos os documentos do caso. Assim, o retorno do caso de Epstein ganha corpo no cenário político, a menos de um ano das eleições para o Congresso norte-americano.
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A liberação dos documentos
Poucos antes da votação sobre o shutdown na Câmara, a deputada democrata Adelita Grijalva – eleita em uma votação especial no final de setembro – finalmente assumiu sua cadeira e deu a última assinatura em uma petição legislativa exigindo que o Departamento de Justiça torne públicos os documentos sobre Epstein, que morreu em 2019.
Conhecida como “petição de desobstrução”, a manobra permite que um projeto siga para o plenário sem passar por comissões, e ainda estabelece um prazo máximo para ser pautado. Para que prospere, são necessárias 218 assinaturas e, no caso da proposta sobre Epstein, ela contou com o apoio de quatro republicanos.
Em resposta e sob a liderança do presidente, a Casa Branca lançou uma força-tarefa para convencê-los a retirarem seus nomes.
O primeiro alvo foi a deputada Laura Boebert, do Colorado. Ela se reuniu com a secretária de Justiça, Pam Bondi, e com o diretor do FBI, Kash Patel, na Sala de Crise da Casa Branca, na quarta-feira (12). Laura criticou a decisão do governo de arquivar o caso, em julho, e afirmou em mais de uma ocasião que “as pessoas estavam frustradas”.
Após as conversas, ela agradeceu à Casa Branca pela “transparência”, mas não quis retirar seu nome da petição.
Derrota do governo
A petição contou ainda com o apoio de Marjorie Taylor-Greene, uma trumpista radical que tem incomodado a Casa Branca por sua recente defesa dos gastos de saúde, e Thomas Massie, republicano que foi um dos co-autores do texto, ao lado do democrata Ro Khanna. Uma vez assinada e entregue à Mesa, os deputados não podem retirar seus nomes, mesmo em caso de morte, afastamento ou renúncia.
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Pelas regras, a partir do momento da apresentação da petição, começa a contar um prazo de sete dias de trabalho legislativo até que o texto seja levado a plenário. A expectativa é que ela seja aprovada sem problemas, mas o caminho até que seja aplicada é longo.
O projeto precisaria ser aprovado por maioria qualificada no Senado (60 votos), onde não há tantos aliados ávidos pelos documentos. Donald Trump pode vetar o texto, mas mesmo que não o faça, o Congresso teria que obrigar judicialmente o Departamento de Justiça a cumprir suas ordens. Apesar de simbólico, o voto não deixa de ser uma derrota para o governo.
A imagem do presidente
Poucos escândalos causaram tanta comoção política nos EUA como as revelações sobre o esquema de tráfico humano e abuso de menores liderado por Epstein, que morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento. O atual presidente dos Estados Unidos chegou a manter amizade com Jeffrey Epstein durante um tempo, mas os dois pararam de se falar logo quando as primeiras investigações do esquema de Epstein começaram.
Durante sua campanha para presidência, Trump prometeu publicar os documentos do caso se retornasse à Presidência. Porém, em julho deste ano, o FBI reconheceu que a lista não existe, apesar de Pam Bondi ter sugerido, meses antes, que a lista estava sobre a mesa do presidente.
Para a Casa Branca, afastar a sombra de Epstein pareceu um movimento natural, diante da proximidade entre o financista e Trump, reiterada em e-mails, fotos e desenhos comprometedores – nas mensagens reveladas na quarta-feira, Epstein alegou que o então empresário Donald Trump “sabia das meninas”, e que ele ficou “por um longo tempo” com uma das vítimas de abuso, Virgina Giuffre, que morreu em abril. Não se sabe se o republicano sabia que a tal Lista de Epstein não passava de ficção antes de chegar ao cargo.








