Uma das maiores influenciadoras do país voltou ao centro das atenções, desta vez por um motivo bem diferente dos lançamentos de produtos, campanhas publicitárias ou da rotina compartilhada com milhões de seguidores. A influenciadora e empresária Virginia Fonseca está sendo alvo de uma investigação da Polícia Federal após relatórios de inteligência financeira apontarem movimentações bancárias consideradas atípicas.
A informação foi revelada pela revista Revista Piauí e indica que agentes federais analisam possíveis indícios de crimes financeiros, fiscais e lavagem de dinheiro. A investigação teria sido motivada por alertas emitidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), responsável por monitorar operações suspeitas no sistema financeiro brasileiro.
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Entre os pontos que chamaram a atenção das autoridades está uma conta empresarial ligada a Virginia e ao cantor Zé Felipe. Segundo os documentos citados pela reportagem, a empresa recebeu R$ 22,4 milhões, sendo R$ 21,4 milhões transferidos por meio de mais de 40 operações via PIX. O que despertou suspeitas foi a origem dos depósitos: uma empresa registrada em um pequeno box comercial no interior de Santa Catarina, estrutura considerada incompatível com a movimentação financeira observada.
Outro caso analisado envolve a We Pink, marca de cosméticos da qual Virginia é sócia. De acordo com os relatórios mencionados, o volume de créditos e débitos identificados nas contas da empresa não corresponderia ao faturamento mensal oficialmente documentado. Para os investigadores, esse tipo de divergência pode indicar a necessidade de uma apuração mais aprofundada sobre a origem e o destino dos recursos.
Apesar das suspeitas levantadas pelos relatórios financeiros, a defesa da influenciadora nega qualquer irregularidade. Os advogados afirmam que todas as operações possuem respaldo contratual, documentação fiscal e foram devidamente informadas aos órgãos competentes. Segundo a equipe jurídica, os valores recebidos da empresa AMP Pay seriam referentes a campanhas publicitárias regularmente contratadas.
A reportagem da Piauí também mergulha na trajetória empresarial da We Pink, empresa que se tornou um dos principais negócios da influenciadora. A origem da marca remonta à Pink Lash, empreendimento do casal Samara Cahanovich Martins e Thiago Stabile, que contou, em sua fase inicial, com investimentos de Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como “Japa do PCC”. Karen é viúva de Wagner Ferreira da Silva, apontado como integrante de uma facção criminosa atuante no litoral paulista.
Após mudanças societárias, surgiu a We Pink, atualmente comandada por Virginia ao lado de Samara, Thiago e o empresário Chaopeng Tan. Questionada sobre o histórico da empresa, a influenciadora declarou à revista que sempre confiou em seus sócios e que nunca recebeu qualquer motivo para desconfiar da conduta deles.
A investigação também lança luz sobre a dimensão do império empresarial construído pela influenciadora. Hoje, Virginia possui pelo menos 38 empresas ativas registradas em seu nome. A maior parte delas foi aberta entre 2023 e 2024, período em que sua participação nos negócios da We Pink se consolidou. Segundo informações divulgadas pela própria companhia, a marca de cosméticos ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão em faturamento durante 2025.
Vale destacar que, até o momento, Virginia não foi indiciada nem acusada formalmente pela Polícia Federal. A investigação encontra-se em fase de análise das movimentações financeiras apontadas pelos relatórios de inteligência. O objetivo é verificar se as operações possuem justificativa econômica compatível ou se há elementos que indiquem eventuais irregularidades.
Enquanto o caso segue sob apuração, o episódio adiciona um novo capítulo à trajetória da influenciadora que transformou sua presença digital em um dos maiores negócios do país. Agora, além dos holofotes das redes sociais, Virginia também passa a estar sob a atenção das autoridades responsáveis por investigar movimentações financeiras de grande porte.









