Morre Luiz Carlos Barreto, ícone do cinema brasileiro, aos 98 anos

Morreu, aos 98 anos, o produtor, diretor, fotógrafo e jornalista Luiz Carlos Barreto, conhecido carinhosamente como Barretão. A informação foi confirmada pela família. O cineasta estava internado desde o início da semana no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde tratava uma infecção pulmonar causada por uma pneumonia.

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Com uma carreira que ultrapassou seis décadas, Barretão foi um dos grandes responsáveis pela consolidação do cinema nacional, participando de mais de cem produções entre filmes, documentários e coproduções. Seu trabalho ajudou a transformar a forma como as obras brasileiras eram produzidas, financiadas e distribuídas, tornando-se uma das figuras mais influentes da história do audiovisual no país.

Natural de Sobral, no Ceará, Luiz Carlos Barreto iniciou sua trajetória profissional como fotojornalista na revista O Cruzeiro, onde atuou como correspondente e registrou personalidades como Marilyn Monroe, Frank Sinatra e Fidel Castro. O contato com o cinema veio ainda na juventude, mas foi a aproximação com cineastas como Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos que o levou a integrar o movimento do Cinema Novo, participando de produções marcantes como “Vidas Secas” (1963) e “Terra em Transe” (1967).

Ao lado da esposa, a produtora Lucy Barreto, fundou a LC Barreto Produções Cinematográficas, responsável por alguns dos maiores clássicos do cinema brasileiro. Entre eles estão “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, um dos maiores sucessos de bilheteria da história do país, além de títulos como “Bye Bye Brasil”, “Memórias do Cárcere”, “Como Era Gostoso o Meu Francês” e “Menino do Rio”.

Sua contribuição também levou o Brasil a disputar o Oscar de Melhor Filme Internacional com “O Quatrilho” (1995) e “O Que É Isso, Companheiro?” (1997), produções dirigidas por seus filhos, Fábio Barreto e Bruno Barreto, respectivamente.

Defensor da importância do audiovisual para a sociedade, Barretão costumava afirmar que “o cinema é uma coisa útil, e não uma coisa fútil”, frase que sintetiza sua visão sobre o papel da arte e da cultura.

Segundo a família, sua saúde vinha apresentando fragilidade desde 2024, após sofrer uma queda durante uma viagem ao Ceará. Nos últimos dias, o quadro se agravou em razão da pneumonia, que evoluiu para uma infecção pulmonar.

Luiz Carlos Barreto deixa a esposa, Lucy Barreto, com quem foi casado por 71 anos, os filhos Bruno e Paula, além de nove netos e oito bisnetos. O casal também teve o cineasta Fábio Barreto, que morreu em 2019, após permanecer dez anos em coma em decorrência de um acidente de carro sofrido em 2009.

O velório será realizado nesta quinta-feira (23), a partir das 11h, no Palácio da Cidade, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Após a cerimônia, o corpo será cremado no Memorial do Caju.

Reconhecido como um dos maiores produtores da história do cinema brasileiro, Luiz Carlos Barreto deixa um legado que atravessa gerações e ajudou a projetar o audiovisual nacional dentro e fora do país.

Autor

  • Manuelly Soares

    Estudante de Jornalismo pelo Centro Universitário FAM e escreve sobre entretenimento, cultura e fama. Apaixonada por comunicação, busca transformar informação em conteúdo leve, atual e conectado com o público.

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