Torcida do Corinthians protesta em frente ao MP-SP e apoia intervenção judicial no clube; entenda o processo

A crise política que assola os bastidores do Sport Club Corinthians Paulista ganhou um novo e decisivo capítulo nesta quarta-feira (19). Em um movimento de união, as principais torcidas organizadas do clube realizaram um ato simbólico em frente à sede do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), exigindo e manifestando apoio total a uma intervenção judicial na gestão do Timão.

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O protesto e as exigências da torcida

O protesto reflete a exaustão da Fiel Torcida com os recentes escândalos políticos, denúncias de má gestão e a crise financeira que ameaça o futuro da instituição.

O ato foi descrito pelas próprias organizadas como “pacífico e simbólico“, cujo objetivo era “manifestar apoio ao trabalho do Ministério Público e requerer a imediata efetivação da intervenção judicial no clube”.

Durante a manifestação, lideranças das organizadas, como Alê Domenico, da Gaviões da Fiel, entraram no Ministério Público para conversar diretamente com Luiz Ambra Neto, promotor responsável pela investigação que apura a necessidade de uma intervenção judicial no clube. O ex-jogador Dinei também esteve presente no ato.

Entre os gritos entoados pelas torcidas em frente ao MP-SP estavam: “Vamos cruzar os braços com intervenção, é o time do povo e não pode ter ladrão”, “Olha que legal, os ratos vão sair com a intervenção judicial” e “Não é mole não, revela esses contratos para expulsar esses ladrão”.

Este foi o primeiro de três protestos programados pelas organizadas. O segundo foi marcado para a Neo Química Arena durante o jogo contra o Rosário Central, nesta quinta-feira (20), pela Libertadores. O terceiro e principal ato está previsto para o sábado (22), em frente ao Parque São Jorge, a partir das 10h, com a convocação de toda a torcida para pedir mudanças no comando do clube.

A crise financeira e institucional que originou o movimento

O cenário financeiro é um dos principais motores do movimento. O balanço de 2025 registrou déficit de R$ 143,4 milhões e dívida bruta de R$ 2,7 bilhões. Somado a isso, o Corinthians sofre com três transfer bans, sendo dois da FIFA e um da CBF.

No âmbito político, a atual gestão, presidida por Osmar Stabile, também é alvo de investigações do Ministério Público. Uma das frentes apura o pagamento de R$ 586.987,65 à Bear Security Ltda., empresa que presta serviços de segurança particular para o presidente. Segundo o MP-SP, a empresa teria atuado em situação considerada irregular em relação à Polícia Federal. Outra suspeita envolve o pagamento de R$ 676,6 mil à Mega Assessoria Operacional Ltda. por serviços de segurança, empresa que também não teria autorização da PF para atuar.

Já são quatro denúncias criminais apresentadas à Justiça, além de investigações e inquéritos em andamento. O balanço aponta ainda que R$ 200 milhões de uma transação tributária futura teriam sido lançados nas contas de 2025 para melhorar artificialmente o resultado do clube, e que R$ 96 milhões registrados como investimento na Neo Química Arena são questionados por auditoria.

Como funciona o processo de intervenção judicial?

O MP-SP abriu, em dezembro de 2025, um inquérito civil para analisar a possibilidade de intervenção no Corinthians. O processo começou após uma solicitação do promotor Cássio Roberto Conserino, que comandou as investigações sobre o uso de cartões corporativos no clube, trabalho que resultou no indiciamento dos ex-presidentes Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves.

O inquérito ficou sob responsabilidade da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, chefiada pelos promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal. Ao acolher a solicitação, o promotor Ambra Neto afirmou haver indícios de irregularidades civis e criminais que justificam uma investigação aprofundada. Foi decretado sigilo sobre o conteúdo da apuração, tanto para preservar documentos confidenciais quanto para evitar que a divulgação de provas comprometa o andamento das investigações.

Na representação enviada ao MP, Conserino listou 25 pontos que, em sua avaliação, poderiam justificar uma medida extrema como a nomeação de um interventor judicial. De forma objetiva, a intervenção judicial, se aprovada, funciona assim: a Justiça nomeia um interventor responsável para exercer a função da diretoria executiva do clube, a fim de tornar os processos investigatórios mais ágeis e promover a reestruturação da entidade em situação de má gestão.

O processo, no entanto, ainda segue em análise. Em maio de 2026, o Conselho Superior do MP-SP rejeitou o recurso apresentado pelo Corinthians contra o inquérito, autorizando a continuidade das investigações. Recentemente, Osmar Stabile compareceu ao MP-SP, onde foi ouvido pelos promotores por cerca de três horas a respeito de diversos temas ligados à gestão atual e às anteriores do clube.

Autor

  • Kalway Almeida

    Apaixonado por esportes desde os 4 anos de idade, transformei esse fascínio em profissão. Atualmente, atuo como redator e repórter cobrindo pautas esportivas no Portal Ponto 360.

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