Coanfitrião da Copa do Mundo de 2030 ao lado de Espanha e Portugal, o Marrocos enfrenta uma onda crescente de denúncias sobre assassinatos em massa de cachorros de rua, supostamente para melhorar a imagem das cidades e reduzir riscos a turistas durante o Mundial. As acusações ganharam força após reportagens da imprensa internacional, incluindo uma matéria recente do jornal britânico The Telegraph.
LEIA TAMBÉM: Três brasileiros são indicados a prêmios Puskás e Marta; confira
Moradores de Casablanca, Rabat e outras cidades afirmam ter visto homens recolhendo cães das ruas e relatam encontrar corpos de animais em regiões remotas. Uma testemunha contou ao jornal que sua filha encontrou um cachorro conhecido da rua morto com diversas perfurações de bala, enquanto os filhotes ainda buscavam leite.

Reação de grupos de proteção animal
Os relatos chamaram a atenção de organizações internacionais de defesa dos animais. Durante a Copa do Mundo de Clubes, em julho, nos Estados Unidos, um ativista da PETA invadiu o campo segurando um cartaz pedindo o fim da matança de cães no Marrocos.
A Coalizão Internacional de Bem-Estar e Proteção Animal alerta que milhões de cães podem ter sido mortos ou podem vir a ser. A renomada primatologista Jane Goodall enviou uma carta à FIFA pedindo ação imediata, condenando os métodos relatados e sugerindo que o Mundial no país seja suspenso caso o abate continue.
Governo marroquino nega intenção de abater animais
Apesar das denúncias, o governo marroquino nega qualquer operação oficial de extermínio. A embaixada do país em Londres afirmou ao The Telegraph que não apoia o abate de cães de rua e que a responsabilidade sobre o manejo dos animais é das autoridades locais. O governo declarou ainda que cinco cidades estão construindo abrigos para acolher cães.

Acusações de métodos cruéis
Relatórios do Daily Mail apontam que o Marrocos teria planos para abater até três milhões de cães vadios visando aumentar o apelo turístico antes da Copa. Segundo a publicação, as autoridades estariam usando métodos considerados cruéis e ilegais, como envenenamento com estricnina, disparos contra os animais e espancamento de sobreviventes com pás.
Embora o país tenha leis que proíbem o abate de cães de rua, organizações dizem que as práticas continuam ocorrendo sem intervenção das autoridades e que abrigos já enfrentam superlotação e falta de recursos. Métodos humanitários, como captura, castração, vacinação e devolução, encontram dificuldades para avançar.
FIFA monitora a situação
A FIFA ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas fontes indicam que a entidade está acompanhando as denúncias de perto e realizando inspeções nas cidades-sede do Mundial. A pressão internacional cresce para que o Marrocos adote medidas mais humanas e sustentáveis no controle da população de cães de rua.









