Uma noite na Alemanha foi o suficiente para o PSG garantir sua ida à final da Champions League. Aquele Paris Saint-Germain que, desde 2018, sonhava com a “Orelhuda” mais desejada da Europa, hoje vai em busca do seu segundo título consecutivo. O time de Luis Enrique, que foi totalmente reformulado, mostrou que o futebol depende do coletivo. A gestão não hesitou em barrar quem fosse necessário e lutou por reforços que entendessem que um “craque” sozinho pode não fazer a diferença dentro do cenário de coletividade que o esporte exige.
A saída das grandes estrelas não foi apenas uma questão de elenco, mas de identidade. O PSG deixou de ser uma constelação de indivíduos para se tornar uma engrenagem de operários talentosos. Sob o comando de Luis Enrique, o time aprendeu a sofrer sem a bola e a atacar com uma agressividade coordenada, algo que o antigo “trio de ferro” nem sempre entregava em termos de recomposição.
Leia mais: Torcida pede saída de Mbappé do Real Madrid e crise se instala nos bastidores do time
Em 2023, quando o projeto começou, nem o torcedor mais otimista sonhava com um desfecho tão histórico. O elenco que contava com Neymar, Messi e Mbappé não conseguiu realizar o sonho que o clube tanto almejava. A história seguiu: saiu Messi, depois Neymar e, por último, Mbappé. Diante da dúvida geral sobre o futuro da equipe, o PSG se renovou. Entre altos e baixos, na temporada 24/25, conquistou sua primeira Champions e, hoje, carimbou a vaga para a final contra o Arsenal, em busca do bicampeonato.
O sonho da final
No jogo de ida, Bayern de Munique e PSG protagonizaram o maior embate da temporada — não apenas pelos gols, mas pela qualidade técnica. A partida, que terminou em 5 a 4 para os parisienses, deu ao time a vantagem do empate na Alemanha. E foi exatamente o que aconteceu.
Com apenas dois minutos de jogo, Dembélé abriu o placar. O camisa 10 aproveitou a jogada de Kvaratskhelia e marcou o gol que dava tranquilidade aos franceses. O duelo tático no meio-campo foi o diferencial na Allianz Arena. Enquanto o Bayern tentava forçar o jogo pelas pontas com a velocidade de Sané, o PSG fechava o funil central, forçando o time alemão a cruzamentos infrutíferos. A conexão entre os meio-campistas e Kvaratskhelia foi o motor que permitiu ao Paris sair da pressão alta do Bayern com transições rápidas, transformando o sufoco defensivo em perigo real em poucos toques.
A chuva de gols da ida ficou em Paris. No segundo tempo, o PSG voltou pressionando e Neuer brilhou, salvando o Bayern de uma goleada. Enquanto a torcida alemã perdia as esperanças e os pouco mais de 4 mil franceses faziam a festa na Allianz Arena, Davies encontrou Kane dentro da área. O inglês limpou a jogada e deixou tudo igual: 1 a 1 no jogo, 6 a 5 no agregado. Mas a virada estava distante. Com pouco tempo restante, o Bayern tentou um último abafa, sem sucesso. Assim, construiu-se o caminho para mais uma final parisiense.
Em busca do bicampeonato

Agora, a história será escrita em Budapeste, na Hungria, no dia 30 de maio, às 13h (horário de Brasília). A decisão entre Paris Saint-Germain e Arsenal será pautada pela superação e pela vontade de fazer história. O Arsenal não chegava à final desde 2006, quando perdeu para o Barcelona. Já o PSG chega à sua terceira decisão: em 19/20 perdeu para o próprio Bayern; em 24/25 sagrou-se campeão sobre a Inter de Milão com um sonoro 5 a 0; e agora busca o topo da Europa novamente.
Esta final coloca frente a frente duas escolas de paciência. De um lado, o Arsenal de Arteta, que colhe os frutos de um processo longo e resiliente na Inglaterra. Do outro, um PSG que finalmente parece ter encontrado paz interna para jogar futebol. Será o confronto entre a juventude faminta dos Gunners e a maturidade recém-adquirida dos parisienses.
Para muitos analistas, as chances do Arsenal bater este PSG são baixas. Eu digo o contrário: no futebol, espera-se de tudo, inclusive boas histórias. Antes da final, os Gunners ainda focam na Premier League, liderando sob a pressão do City de Guardiola. Já o PSG vive uma situação mais tranquila na Ligue 1, com pontos de sobra para garantir o título nacional e focar totalmente na Europa. Mais do que um troféu, em Budapeste vale a consagração de um modelo de gestão que decidiu priorizar o escudo à frente dos nomes nas costas das camisas.








