Haddad diz que ‘tudo’ dos Correios está condicionado a plano de reestruturação e aporte seria menor que R$ 6 bi

Haddad, o ministro da Fazenda, informou na segunda-feira (8) haver espaço para um aporte do Tesouro Nacional aos Correios ainda em 2025. O valor ficará abaixo de R$ 6 bilhões.

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De acordo com o ministro, a decisão ainda não foi tomada, mas há espaço fiscal para um aporte neste ano.

A liberação dos recursos poderá ocorrer por meio de uma Medida Provisória (MP) para abrir crédito extraordinário ou via PLN (projeto de lei do Congresso Nacional). No entanto, o governo condiciona o repasse à implementação do plano de reestruturação dos Correios.

“Os Correios precisam mudar, precisam ser reestruturados. Então, está tudo caminhando bem, mas ainda com detalhes para acertar”, afirmou o ministro.

Haddad comentou o tema após reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na Residência Oficial. Também participaram o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e líderes partidários.

Quando questionado sobre a proposta de empréstimo de R$ 20 bilhões para auxiliar os Correios e a possibilidade de aprovação ainda para este ano, respondeu:

“É uma possibilidade, mas não estamos jogando com uma possibilidade só por causa da negociação com os bancos”, disse.

Porém, na terça-feira (2), o Tesouro Nacional rejeitou a oferta apresentada por um consórcio de bancos, alegando que a taxa de juros proposta era demasiadamente alta.

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Histórico

Com um prejuízo de R$ 6,1 bilhões entre janeiro e setembro de 2025, aproximadamente três vezes superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, os Correios enfrentam uma situação crítica.

No ano passado, a perda foi de R$ 2,1 bilhões e, atualmente, ainda é mais que o dobro do rombo de R$ 2,6 bilhões no ano anterior.

A estatal vive um dos períodos mais críticos de sua trajetória recente. Após acumular prejuízos bilionários ao longo dos últimos anos, os Correios enfrentam redução no envio de correspondências, aumento das despesas operacionais e dificuldades para rivalizar com empresas privadas cada vez mais organizadas.

A situação se agravou devido a escolhas estratégicas malsucedidas, somadas a pressões políticas e mudanças nas regras do setor.

Um dos elementos que mais afetou o caixa foi a chamada “taxa das blusinhas”, que modificou normas de importação e diminuiu o fluxo de encomendas internacionais processadas pela companhia. Essa queda de receita ampliou o déficit financeiro e evidenciou o risco da dependência de um segmento volátil.

Perante tudo isso, o governo busca alternativas para equilibrar a empresa e evitar um colapso operacional. Entre as medidas em análise estão parcerias com o setor privado, revisão de contratos, redução de gastos e um projeto de modernização tecnológica.

Por fim, esse encontro ocorreu na Residência Oficial da Presidência da Câmara, para discutir quais projetos o governo quer que sejam aprovados antes da votação do Orçamento de 2026, prevista para a próxima semana.

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