Mesmo com o avanço da renda média e a manutenção do desemprego em níveis historicamente baixos, as famílias brasileiras seguem cada vez mais endividadas. Dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo IBGE mostram que o rendimento médio mensal em 2025 chegou a R$ 2.264 por pessoa, alta real de 6,9% em relação ao ano passado, já descontada a inflação. O levantamento também aponta que quase 25% da renda familiar vem de fontes além do trabalho, como aposentadorias, pensões e programas sociais.
Ainda assim, o alívio no orçamento não tem sido suficiente para conter o avanço das dívidas. Em abril, o índice de endividamento das famílias alcançou 80,9%, o maior patamar da série histórica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O cenário revela um contraste: de um lado, mais pessoas empregadas e com renda maior; do outro, juros elevados pressionando o orçamento doméstico. As taxas de juros elevadas encarecem financiamentos, empréstimos e o uso do cartão de crédito, comprometendo parte significativa da renda. Com isso, mesmo com maior poder de compra, muitas famílias acabam recorrendo ao crédito para manter o consumo e honrar despesas do dia a dia.
Outro fator que contribuiu para esse cenário foi a expansão da oferta de crédito nos últimos anos. Embora tenha ajudado a sustentar o crescimento da economia e o consumo das famílias, o movimento também ampliou o nível de endividamento e, consequentemente, a inadimplência.
Diante desse quadro, o governo federal lançou nesta semana o Desenrola Brasil 2.0, programa voltado à renegociação de dívidas. A expectativa é renegociar cerca de R$ 58 bilhões em débitos, numa tentativa de reduzir a inadimplência e aliviar a pressão financeira sobre milhões de brasileiros.









