A disputa entre identidade artística e legado histórico ganhou um novo capítulo no Brasil e, desta vez, quem levou a melhor foi o rap nacional. O rapper L7nnon venceu na Justiça a tentativa de Yoko Ono de impedir o uso de seu nome artístico, em um caso que mistura cultura pop, direito de marca e gerações completamente distintas.
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No centro da discussão está o peso de um nome. De um lado, John Lennon, ícone eterno da música mundial e integrante do The Beatles. Do outro, um dos principais nomes do rap brasileiro contemporâneo, que construiu sua carreira dialogando com uma estética urbana, jovem e digital.
Yoko Ono havia solicitado ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI a impugnação do registro do nome “L7NNON”, argumentando que a semelhança poderia gerar confusão com o legado de John Lennon. O pedido chegou a ser acolhido inicialmente, mas acabou sendo revertido na Justiça.
Ao analisar o caso, a 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região adotou uma leitura que vai além da semelhança gráfica. Para os magistrados, não há risco concreto de confusão entre os artistas, seja pelo contexto cultural, pelo público ou pela proposta musical. Em outras palavras, o “Lennon” do rap não disputa espaço com o Lennon da história do rock.
A decisão destaca justamente o elemento que transformou a discussão, o “7” no lugar do “E”. A estilização de L7nnon foi interpretada como mais do que uma troca estética, é uma marca de linguagem, típica de uma geração que se comunica por códigos próprios, entre números, gírias e identidade visual forte. Um detalhe que, para o tribunal, cria distância suficiente do nome original.
Outro ponto curioso revelado pela defesa do artista brasileiro é a origem do seu nome de batismo. Lennon, neste caso, não foi inspirado diretamente no Beatle, mas em um personagem da novela Top Model. Um recorte que reforça como referências culturais podem atravessar décadas e assumir novos significados.
Na prática, a Justiça entendeu que permitir a coexistência dos nomes não ameaça o patrimônio simbólico de John Lennon. Pelo contrário, reconhece que a cultura é viva, mutável e capaz de ressignificar até mesmo os nomes mais emblemáticos.
A decisão ainda não encerra completamente o caso, pois Yoko Ono pode recorrer. Mas, por ora, L7nnon segue com seu nome e, mais do que isso, com o reconhecimento de que sua identidade artística não é uma cópia, e sim uma construção própria.
No fim, o episódio escancara um debate maior, até onde vai o direito de proteger um legado e onde começa o direito de criar algo novo a partir dele?









