No coração de Vale do Anhangabaú, onde passado e presente se cruzam diariamente, uma nova imagem passa a disputar a atenção de quem atravessa o centro de São Paulo. No Dia dos Povos Indígenas, a cidade ganha um mural monumental que transforma concreto em memória viva e que projeta, em larga escala, o rosto e o pensamento de Ailton Krenak.
Leia também: No Dia Nacional do Livro Infantil, veja quais são os títulos mais vendidos do gênero atualmente: No Dia dos Povos Indígenas, Ailton Krenak ganha mural em prédio no centro de São PauloA obra, intitulada Sol do Meio Dia, é assinada pela artista e ativista indígena Daiara Tukano e ocupa a empena do Edifício Guanabara, na Avenida São João. Com impressionantes 30 por 25 metros, o mural não é apenas uma intervenção estética: é um gesto político, cultural e simbólico que reafirma a presença indígena em um território urbano historicamente marcado pelo apagamento dessas vozes.
A iniciativa faz parte da programação da Virada Sustentável, que neste ano amplia seu olhar para o protagonismo indígena. A inauguração do mural dialoga diretamente com o lançamento da chamada Virada Indígena, que tem como destaque o evento “Palavra Viva – Arte, Pensamento e Ancestralidade”, realizado na Praça das Artes. A proposta é clara: criar pontes entre arte contemporânea, saberes ancestrais e discussões urgentes sobre o futuro.
Mais do que homenagear uma figura, o mural coloca em evidência a trajetória de Krenak, reconhecido internacionalmente por suas reflexões sobre humanidade, natureza e modos de existência. Primeiro intelectual indígena a integrar a Academia Brasileira de Letras, ele se tornou uma das vozes mais contundentes na crítica ao modelo de desenvolvimento que ignora os limites do planeta.
Ao unir a força visual de Daiara Tukano com o pensamento de Krenak, a obra transforma o centro de São Paulo em um espaço de escuta e contemplação. Em meio ao fluxo acelerado da cidade, o mural convida à pausa e, mais do que isso, à reflexão sobre quem sempre esteve aqui, mesmo quando não era visto.
Nesse cenário, o Anhangabaú deixa de ser apenas passagem e se reafirma como território simbólico de resistência. A arte, mais uma vez, cumpre seu papel de reescrever narrativas agora, em escala monumental.
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