A noite do último sábado (2) entrou para a história da música pop e também da cultura brasileira. Diante de um mar humano que tomou conta da Praia de Copacabana, Shakira entregou o maior espetáculo de sua carreira, reunindo cerca de 2 milhões de pessoas no evento Todo Mundo no Rio.
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O show foi uma versão expandida da turnê “Las Mujeres Ya No Lloran World Tour”, mas com um tempero especial: o Brasil no centro de tudo. E não foi apenas no discurso. A artista fez questão de transformar o palco em um encontro simbólico entre culturas, convidando nomes gigantes da música nacional como Anitta, Ivete Sangalo, Caetano Veloso e Maria Bethânia.
Juntos, eles protagonizaram momentos que misturaram emoção e celebração. De “Choka Choka” a “País Tropical”, passando por “Leãozinho” e “O Que É O Que É?”, o público acompanhou cada verso como um coro coletivo, daqueles que só acontecem quando há conexão real entre artista e plateia.
Um show que começou antes mesmo da música
A expectativa já tomava conta da areia desde a tarde. Programada para subir ao palco às 21h45, Shakira acabou atrasando mais de uma hora. Durante a transmissão da TV Globo, as apresentadoras revelaram que o motivo teria sido um imprevisto pessoal: a cantora foi informada de um mal-estar de seu pai pouco antes da apresentação.
Enquanto isso, o céu de Copacabana virou palco para um espetáculo à parte. Drones desenharam uma loba, símbolo recorrente da artista, além de traços de seu rosto, arrancando aplausos e suspiros antes mesmo da primeira música.
Entre hits, desabafos e empoderamento
Quando finalmente entrou em cena, Shakira mostrou domínio absoluto do palco. A setlist equilibrou nostalgia e atualidade com precisão. Clássicos como “Hips Don’t Lie”, “Whenever, Wherever” e “Waka Waka” dividiram espaço com faixas mais recentes, como “Soltera”, “La Fuerte” e a potente “BZRP Music Sessions #53”.
O show também teve um fio condutor claro: a força feminina. Em diversos momentos, a cantora falou, em português, sobre as mulheres latinas, com destaque para mães solo que sustentam suas famílias. A fala ecoa diretamente sua própria vivência após o turbulento fim do relacionamento com Gerard Piqué.
Aliás, o nome do ex não passou despercebido. Em meio à energia do público, um coro tomou conta da praia com provocações ao ex-jogador, transformando a apresentação em um verdadeiro ato coletivo de catarse.
Brasil no coração e na voz
Se havia alguma dúvida sobre o carinho de Shakira pelo Brasil, ela foi completamente dissipada ao longo das quase três horas de show. Fluente em português, a artista fez todas as interações no idioma, agradecendo repetidamente o apoio ao longo de seus mais de 30 anos de carreira.
Esse cuidado apareceu também na escolha dos convidados e na presença da bateria da Unidos da Tijuca, que adicionou uma camada extra de brasilidade ao espetáculo.
Momentos que marcaram
Entre os destaques da noite, a performance com Anitta trouxe sensualidade e energia pop, enquanto o encontro com Caetano Veloso revelou um lado mais íntimo da cantora, que se emocionou ao contar que canta “Leãozinho” para o filho.
Já Maria Bethânia protagonizou um dos momentos mais intensos, mesmo com pequenas falhas de sincronia. E Ivete Sangalo encerrou a sequência de participações com carisma e uma versão vibrante de “País Tropical”, acompanhada por um mar de pulseiras luminosas que transformaram a plateia em um espetáculo à parte.
Estrutura grandiosa e final apoteótico
Comparado a apresentações históricas de artistas como Madonna e Lady Gaga, o show de Shakira se destacou pela grandiosidade da estrutura. Telões gigantes, efeitos de LED e uma estética pensada nos mínimos detalhes deram o tom de superprodução.
O ápice veio na reta final, com uma estátua gigante de loba iluminando o palco durante “She Wolf”. Na sequência, “BZRP Music Sessions #53” encerrou a apresentação com energia máxima, incluindo a cantora descendo até a plateia.
Para fechar, bandeira do Brasil nas mãos, fogos de artifício no céu e a sensação coletiva de ter presenciado algo histórico.
Mais do que um show, o que aconteceu em Copacabana foi um encontro entre culturas, emoções e narrativas. E, acima de tudo, a reafirmação de Shakira como um dos maiores nomes da música latina, capaz de transformar uma praia em palco e milhões de pessoas em uma só voz.









