A arte brasileira volta a ocupar o centro da cena internacional com sotaque próprio. Em 2027, a Fundação Bienal de São Paulo aposta em uma curadoria integralmente nacional para conduzir a 37ª edição da Bienal de São Paulo, um movimento que não acontecia desde 2010.
LEIA TAMBÉM: Madonna anuncia feat. com Sabrina Carpenter
Os escolhidos são Amanda Carneiro e Raphael Fonseca, dois nomes que representam uma geração de curadores atentos às urgências do presente, mas profundamente conectados às raízes culturais latino americanas. A nomeação, anunciada nesta terça feira (28), reforça não apenas o protagonismo brasileiro no circuito artístico global, mas também uma confiança renovada em narrativas construídas a partir do Sul.
Considerada o maior evento de artes visuais da América Latina e um dos três mais importantes do mundo, ao lado da Bienal de Veneza e da Documenta de Kassel, a Bienal paulista tem sido, ao longo de décadas, um termômetro das transformações estéticas, políticas e sociais da arte contemporânea. Nos últimos anos, sua curadoria vinha sendo conduzida por nomes internacionais, como o camaronês Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, responsável pela edição mais recente.
Agora, o retorno a uma liderança brasileira sugere mais do que uma escolha geográfica, aponta para um reposicionamento simbólico. É como se a Bienal voltasse a olhar para dentro, sem perder o diálogo com o mundo.
Amanda Carneiro traz na bagagem uma trajetória sólida no Museu de Arte de São Paulo, onde atua como curadora desde 2018. Seu trabalho recente, a exposição Santiago Yahuarcani: O Princípio do Conhecimento, em cartaz na Avenida Paulista, evidencia seu interesse por epistemologias indígenas e narrativas não hegemônicas. Ela também assina, ao lado de Julieta González, a ambiciosa coletiva Histórias Latino americanas, que ocupará cinco andares do edifício do museu entre 2026 e 2027.
Formada pela Universidade de São Paulo, Amanda desenvolve pesquisas sobre o FESTAC ’77, evento histórico que reuniu expressões da cultura negra e africana em escala global, um indicativo claro de seu olhar atento às diásporas e às conexões culturais transnacionais.
Ao seu lado, Raphael Fonseca constrói uma carreira igualmente internacionalizada. Baseado em Lisboa, ele lidera a curadoria da Culturgest e atua como curador at large no Denver Art Museum. Sua atuação atravessa fronteiras, em 2026, ele assina o Pavilhão de Taiwan na Bienal de Veneza e participa de projetos curatoriais nos Estados Unidos, Islândia e outros pontos do circuito global.
A parceria entre Amanda e Raphael parece sintetizar dois movimentos complementares, um mergulho profundo nas histórias locais e uma articulação constante com redes internacionais. Juntos, eles assumem o desafio de pensar uma Bienal que dialogue com o mundo sem abrir mão de sua identidade.
O projeto curatorial da dupla será apresentado no segundo semestre deste ano. Até lá, a expectativa cresce, não apenas pelo que será exibido, mas pela forma como o Brasil contará suas próprias histórias em um dos palcos mais relevantes da arte contemporânea.









