Aeroportos de SP vivem caos após ventania inédita e acumulam mais de 300 cancelamentos

Os principais aeroportos de São Paulo atravessam um dos dias mais caóticos do ano após o vendaval histórico que atingiu a região metropolitana entre quarta (10) e esta quinta-feira (11). Ao todo, mais de 300 voos foram cancelados nos terminais de Congonhas e Guarulhos, provocando aglomerações, longas filas, atrasos sucessivos e milhares de passageiros sem previsão de embarque.

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O cenário nos dois maiores aeroportos do estado foi descrito como caótico por passageiros e equipes de operação. No Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, pelo menos 15 partidas e 39 chegadas foram canceladas somente na manhã desta quinta. Desde quarta, o número total já ultrapassa 100 suspensões.

No Aeroporto de Congonhas, o impacto foi ainda maior: 31 chegadas e 15 partidas não decolaram nesta manhã. Somados aos números de quarta-feira, 88 chegadas e 93 partidas canceladas, o terminal acumula 227 voos suspensos em dois dias.

No Aeroporto de Congonhas, na zona Sul da capital, 227 foram voos afetados, com 181 cancelamentos na quarta e 46 somente na manhã desta quinta - Foto: Bruno Teixeira/CNN Brasil
No Aeroporto de Congonhas, na zona Sul da capital, 227 foram voos afetados, com 181 cancelamentos na quarta e 46 somente na manhã desta quinta – Foto: Bruno Teixeira/CNN Brasil

Os reflexos se espalham para outros estados. Terminais no Rio de Janeiro e em Brasília também registraram atrasos e alterações na malha aérea em razão do efeito dominó provocado pelo evento climático em São Paulo.

Segundo especialistas, a ventania que atingiu a Grande São Paulo é considerada inédita por ocorrer sem chuva ou temporais associados, algo incomum para rajadas tão intensas. Em Congonhas, as medições registraram ventos de 96,3 km/h na quarta-feira, enquanto outras regiões da metrópole chegaram a ultrapassar 98 km/h.

A força dos ventos provocou queda de árvores, destruição de estruturas, apagões massivos e a interrupção parcial de serviços essenciais. Mais de 2 milhões de imóveis ficaram sem energia no pico das ocorrências. Na manhã desta quinta, ainda havia 1,5 milhão de residências às escuras, segundo a Enel.

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Nos saguões, a sensação predominante era de desinformação e insegurança. Muitos passageiros passaram a noite nos bancos dos terminais, sem alternativas viáveis de remarcação.

A passageira Débora, que tenta embarcar para o Aeroporto Santos Dumont, relatou que desde ontem tenta decolar, sem sucesso. O voo remarcado para as 10h10 desta quinta também foi cancelado, e não há previsão de novo horário.

A cearense Elza, que desembarcou de Fortaleza e seguiria para Florianópolis, vive a mesma incerteza. Após o cancelamento, seu embarque só deve ocorrer entre os dias 14 e 15, segundo informações repassadas pela companhia aérea.

Apesar dos registros de 61 chegadas e 56 partidas canceladas desde quarta em Guarulhos, a GRU Airport afirmou que a operação está “normalizada”. Passageiros discordam: filas, atrasos e realocações têm sido frequentes ao longo da manhã.

Os impactos do vendaval se estendem por toda a mobilidade da capital. Segundo a Enel, mais de 1,5 milhão de imóveis na Grande São Paulo continuam sem energia nesta quinta-feira, 1 milhão apenas na capital.

A cidade amanheceu com 235 semáforos apagados por falta de energia, além de outros 20 com falhas e cinco operando em amarelo piscante, de acordo com a CET. Às 7h, o trânsito já acumulava 203 km de lentidão.

Carro foi atingido por árvore que caiu durante ventania em São Paulo - Foto: Reprodução
Carro foi atingido por árvore que caiu durante ventania em São Paulo – Foto: Reprodução

A interrupção no fornecimento de luz também afeta o abastecimento de água em diversos bairros. Todos os parques municipais permanecem fechados nesta manhã, com reabertura avaliada individualmente ao longo do dia.

A expectativa é que as operações aéreas sejam ajustadas gradualmente ao longo do dia, mas as companhias já admitem que remarcações podem se estender ao fim de semana, devido ao volume acumulado de voos suspensos e à reorganização da malha aérea.

Enquanto isso, passageiros seguem convivendo com atrasos, mudanças de portões e cancelamentos de última hora, reflexos diretos de um dos fenômenos climáticos mais intensos que atingiram São Paulo nos últimos anos.

Autor

  • Nicolas Pedrosa

    Jornalista formado pela UNIP, com experiência em TV, rádio, podcasts e assessoria de imprensa, especialmente na área da saúde. Atuou na Prefeitura de São Vicente durante a pandemia e atualmente gerencia a comunicação da Caixa de Saúde e Pecúlio de São Vicente. Apaixonado por leitura e escrita, desenvolvo livros que abordam temas sociais e histórias de superação, unindo técnica e sensibilidade narrativa.

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