Dentro de casa e em segundos; por que as férias aumentam o risco de intoxicação infantil

Acidentes por intoxicação continuam sendo uma das ocorrências mais comuns envolvendo crianças pequenas no ambiente doméstico, especialmente durante o período de férias escolares. Dados de 2025 do Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Unicamp (CIATox) indicam que crianças de 1 a 4 anos concentram 56,9% dos registros entre 0 e 14 anos, com um agravante: 80,2% das exposições são acidentais e, portanto, evitáveis.

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Segundo especialistas, o aumento do risco está diretamente ligado à mudança de rotina. Com mais tempo dentro de casa, a curiosidade natural da infância encontra armários, gavetas e produtos potencialmente perigosos. Medicamentos lideram as causas de intoxicação (37,4%), seguidos por acidentes com animais peçonhentos (14,1%) e produtos de limpeza (12,6%), como alvejantes e desinfetantes, muitas vezes confundidos com bebidas devido às embalagens coloridas.

Para a pediatra Fernanda Maiorino Fonte Boa, cooperada da Unimed Amparo, a concentração dos casos nessa faixa etária está relacionada ao desenvolvimento motor das crianças. “Elas já conseguem andar com mais autonomia, subir em móveis e abrir portas e gavetas, o que amplia o acesso a produtos e aumenta o risco de acidentes”, explica.

Outro ponto de atenção envolve o uso inadequado de produtos de limpeza. A Anvisa alerta que misturas caseiras podem gerar reações químicas perigosas, liberando gases tóxicos, como o cloro, que causam irritação nas vias respiratórias, olhos e pele. Situações como essas podem agravar rapidamente o quadro clínico da criança.

Os sintomas de intoxicação variam conforme a substância, mas sinais como vômito, dificuldade para respirar, sonolência excessiva, confusão mental, salivação intensa, alteração na coloração dos lábios ou desmaio exigem atendimento imediato. A recomendação é levar a criança a um serviço de urgência, sempre com a embalagem do produto envolvido. “Não se deve provocar vômitos nem oferecer leite ou alimentos antes da avaliação médica”, reforça a pediatra.

Medidas simples são suficientes para evitar a maioria dos acidentes: manter medicamentos e produtos de limpeza fora do alcance, preferencialmente em armários trancados; descartar remédios vencidos; não chamar medicamentos de “doces”; separar alimentos de produtos químicos e redobrar o cuidado com pilhas, baterias e inseticidas. A prevenção continua sendo a principal aliada para reduzir esse tipo de ocorrência dentro de casa.

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