A Agência Internacional de Energia (IEA) emitiu um alerta global de emergência: a interrupção no fornecimento de petróleo causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz já é, oficialmente, a maior da história. De acordo com o Oil Market Report da IEA, publicado neste mês, o fluxo de óleo que atravessa o Estreito despencou de 20 milhões de barris por dia (mb/d) para praticamente zero após o bloqueio militar iraniano. Isso representa 20% de todo o consumo mundial de energia paralisado em um único ponto geográfico.
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A crise é tamanha que a agência autorizou um saque de 400 milhões de barris das reservas estratégicas de seus países membros, sendo este o maior desde a criação da instituição.
Por que a crise de 2026 supera as de 1973 e 1979?
- 1973 (O Embargo Árabe): Durante a Guerra do Yom Kippur, o corte foi de 5 milhões de mb/d. O preço quadruplicou e mudou o mundo, mas a perda era apenas 25% do que estamos perdendo hoje.
- 1979 (Revolução Iraniana): A queda na produção foi de cerca de 4 milhões de mb/d. Gerou recessão global, mas o bloqueio era político e interno de um único país.
Já a crise atual de 2026 trata-se de um bloqueio físico militar e acaba atingindo até países que não estão envolvidos diretamente no conflito. Por mais que estes queiram continuar sua produção, não há como escoar o óleo, resultando em uma perda quatro vezes maior do que nas piores crises do século XX.
Crise Além dos Postos de Gasolina
Além do alerta de oferta, a IEA emitiu recomendações “de guerra” para governos aliados, tais como:
Home Office Mandatório: Incentivo total ao trabalho remoto para reduzir o deslocamento.
Redução de Velocidade: Pedido para reduzir limites em rodovias para economizar combustível.
O alerta vale também para o aumento no preço dos alimentos. O Estreito de Ormuz é a principal rota de ureia e fertilizantes. Com o fechamento, a safra agrícola de 2026-2027 corre um risco real de colapso, podendo dobrar o preço dos alimentos em poucos meses.
Caos na economia e nas ruas de Washington
Enquanto mísseis cruzam os céus de Teerã, o mercado financeiro assiste a uma das maiores altas de preços da história. O barril do tipo Brent, referência mundial, rompeu a barreira dos US$ 120, fazendo com que o mundo e os americanos tenham um olhar mais crítico às ações do presidente Donald Trump, de Israel e ao conflito com o Irã.
A escalada da guerra coloca o cenário econômico global em grandes incertezas. Em fevereiro de 2026, antes do início do conflito, o petróleo era negociado em uma zona de conforto entre US$ 72 e US$ 78. Em apenas 30 dias, o valor saltou 60%. Instituições como Goldman Sachs e JP Morgan já trabalham com um cenário de “pânico logístico”: se o ultimato de Donald Trump, marcado para 6 de abril, expirar sem a reabertura do Estreito, o preço do barril pode romper a marca histórica de US$ 200.
A reação da maior Economia do Mundo
O governo Trump autorizou o uso total das Reservas Estratégicas de Petróleo (SPR), mas a medida foi recebida com ceticismo pelos investidores.
Inflação na Bomba: O preço médio do galão de gasolina nos EUA saltou de US$ 3,50 para quase US$ 6,00.
Manifestações: No último final de semana (28 e 29 de março), cidades como Chicago, Detroit e Houston foram palco de protestos. Sob a hashtag #LowerTheGas, caminhoneiros e motoristas de aplicativo bloquearam rodovias vitais.
Em Washington, houve confrontos entre manifestantes e a polícia, resultando em prisões e no uso de gás lacrimogêneo.
A resposta de Trump foi direta: ele classificou os protestos como “influência estrangeira” e reiterou que o preço só cairá com uma “vitória total” no Golfo.









