O escritório de advocacia associado ao ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, recebeu aproximadamente R$ 5 milhões do Banco Master pela prestação de serviços de consultoria jurídica. O contrato, firmado em 2023, seguiu vigente até setembro de 2025, período que abrange mais de um ano após Lewandowski assumir o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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As informações foram divulgadas inicialmente pelo portal “Metrópoles”, que detalhou os termos do acordo celebrado entre o escritório do jurista e a instituição financeira controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. Segundo a reportagem, o contrato previa pagamentos mensais de R$ 250 mil, totalizando os valores que chegaram à casa dos milhões ao longo do período de vigência.
De acordo com a publicação, o contrato foi assinado em 28 de agosto de 2023, poucos meses após Lewandowski deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), em abril do mesmo ano, quando se aposentou da Corte. Os repasses financeiros teriam continuado até setembro de 2025, mesmo após sua nomeação como ministro da Justiça, oficializada em fevereiro de 2024.
Ainda conforme a apuração do “Metrópoles”, a contratação do escritório teria ocorrido por indicação do senador Jaques Wagner (PT-BA), aliado histórico do presidente Lula. A informação gerou questionamentos sobre a manutenção do vínculo contratual durante o período em que Lewandowski exercia uma das principais funções do Executivo federal.
Procurada, a assessoria de Ricardo Lewandowski confirmou que o escritório prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master após sua saída do STF. No entanto, ressaltou que o ex-ministro deixou de atuar diretamente em qualquer caso do escritório assim que assumiu o cargo no governo federal, além de ter adotado medidas formais para se afastar da advocacia.
“Após deixar o Supremo Tribunal Federal, em abril de 2023, Ricardo Lewandowski retomou suas atividades profissionais na advocacia, prestando serviços de consultoria jurídica a diversos clientes, entre eles o Banco Master”, informou a assessoria à imprensa, em nota.
O comunicado afirma ainda que, ao ser convidado pelo presidente Lula para integrar o primeiro escalão do governo, Lewandowski retirou-se formalmente do escritório de advocacia, suspendeu seu registro junto à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e interrompeu qualquer participação em processos ou atividades jurídicas privadas.

“Ao assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em janeiro de 2024, Lewandowski deixou de atuar em todos os casos e se afastou integralmente das atividades advocatícias”, diz outro trecho da nota.
Também procurada, a assessoria do senador Jaques Wagner confirmou que houve uma conversa com representantes do banco, mas negou qualquer interferência direta na contratação. Segundo o senador, ele apenas indicou o nome de Lewandowski como referência jurídica, cabendo exclusivamente à instituição financeira a decisão final.
“O senador foi consultado sobre um jurista de reconhecida competência e mencionou Ricardo Lewandowski, que havia acabado de deixar o STF. A partir disso, o banco avaliou a sugestão e decidiu pela contratação”, afirmou a assessoria do parlamentar.
Até o momento, o Banco Master não se manifestou publicamente sobre os valores pagos nem sobre os detalhes do contrato. O caso ocorre em meio a debates recorrentes sobre conflitos de interesse, portas giratórias entre o setor público e privado e os limites éticos na transição de autoridades entre cargos de Estado e atividades privadas.









