O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra a Venezuela ao sugerir, mais uma vez a possibilidade de uma ofensiva terrestre para combater o narcotráfico. Em declarações feitas a jornalstas na casa Branca na quinta-feira (11), Trump afirmou que operações por terra para interditar carregamentos de drogas que sairiam da Venezuela em direção aos Estados Unidos devem começar “em breve”.
Segundo o presidente, o governo americano teria obtido sucesso no combate ao tráfico marítimo, mas aínda enfrentaria desafios nas rotas terrestres.
“Se você observar o tráfico de drogas, o tráfico marítimo caiu 92% e ninguém consegue descobrir quem são os 8% restantes. Qualquer pessoa envolvida nisso agora não está se dando bem. E vamos resolver isso em terra também. Vai começar em breve”, disse Trump.

As declarações se somam a uma série de falas recentes nas quais o presidente associa o combate ao narcotráfico a uma postura mais agressiva na política externa e de segurança, especialmente em relação á Venezuela.
Retórica recorrente e ausência de detalhes
Apesar do impacto político das falas, Trump não apresentou detalhes sobre como essas ações terrestres seriam conduzidas, nem esclareceu se envolveriam operações diretas em território venezuelkano ou em países vizinhos. Também não houve menção a autorização do Congresso. cooperação internacional ou respaldo de organismos multilaterais.
Especialistas em política internacional apontam que o uso da expressão “ataques terrestres” é particulamente sensível, pois pode ser interpretado como sinalização de intervenção militar, algo que histpricamente gera tensões na região. Até o momento, o Departamento de Defesa dos EUA não confirmou qualquer planejamento operacional nesse sentido.

Venezuela no centro do discurso

Durante a mesma conversa com repórteres, Trump voltou a relacionar a venezuela ao aumento da criminalidade nos Estados Unidos, uma narrativa que tem sido frequente em seus discursos. O presidente afirmou que “quase 12 mil assassinos” teriam entrado no país recentemente a sugeriu que muitos seriam venezuelanos.
“Recebemos milhares de membros da gangue Tren de Aragua, que dizem ser a gangue mais violenta. Não sei, a MS-13 é bem perigosa, mas dizem que a Tren de Aragua é a gangue mais violenta que sai das prisões da venezuela. Saiu das prisões da Venezuela”, afirmou.

A Tren de Aragua é uma organização criminosa originária da Venezuela, conhecida por atividades como tráfico de drogas, extorsão e sequestro, e que, de fato, expandiu sua atuação para outros países da América latina.
No entanto, autoridades de segurança e pesquisadores destacam que não há dados públicos que sustentam os números citados por Trump sobre assassinos ou a escala da presença da gangue nos Estados Unidos.
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Foto: Presidência de El Salvador/AFP
Migração, crime e política interna

Imagens: Damian Dovarganes/AFP
As declarações ocorrem em um contexto no qual Trump tem usado o tema da imigração como um dos principais eixos de sua agenda política. Ao associar imigração irregular, nacotráfico e crime violento, o presidente reforça uma narrativa que mobiliza sua base eleitoral, mas que é contestada por estudos acadêmicos e dados oficiais.
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Pesquisas conduzidas por universidades americanas e relatórios de agências federais indicam que imigrantes, incluindo os indocumentados, cometem menos crimes violentos, proporcionalmente, do que cidadãos nascidos nos Estados Unidos. Ainda assim, a retórica de Trump frequentemente ignora essas estatísticas em favor de exemplos isolados e generalizações.
Repercussão internacional e riscos diplomáticos

As ameaças de ações mais duras contra rotas ligadas à Venezuela tendem a gerar preocupação entre governos da América Latina. países da região historicamente rejeitam intervenções militares unilaterais e defendem soluções diplomáticos e cooperação internacional no combate ao narcotráfico.
Analistas também alertam que uma escalada retórica pode aumentar a instabilidade regional e dificultar negociações sobre migração, sanções econômicas e ajuda humanitária à população venezuelana, que enfrenta uma crise prolongada.
O que se sabe até agora?

Até o momento, as falas de Trump permanecem no campo da intençãopolítica. Não há confirmação oficial de operações terrestres, tampouco um cronograma ou definição clara do alcance dessas ações. O discurso, porém reforça uma estratégia já conhecida do presidente: usar declarações fortes para sinalizar dureza na segurança e pressionar adversários internos e externos.
Resta saber se as ameaças se traduzirão em politicas concretas ou se continuarão a funcionar principalmente como instrumento retórico em un cenário político cada vez mais polarizado.










