O incêndio que devastou o bar Le Constellation, na Suíça, por volta da 1h30 da manhã, transformou a celebração de Ano Novo em um dos desastres mais trágicos da história recente do país. Deixando 40 mortos e 119 feridos em sua grande maioria adolescentes menores de idade, levantam questões críticas sobre a segurança de espaços comerciais operados em antigos abrigos de proteção civil, conhecidos como bunkers, e a eficácia da fiscalização municipal.
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Enquanto o governo suíço emitia alertas severos proibindo fogos de artifício devido à seca extrema que afeta a região de Valais, o estabelecimento não seguiu as recomendações de segurança. Relatos indicam que garçons cruzavam a pista de dança portando artefatos pirotécnicos em garrafas de champanhe. O contato dessas faíscas com o revestimento do teto é apontado como a causa principal da tragedia.
A Procuradora-Geral de Valais, Beatrice Pilloud, confirmou a ocorrência do fenômeno de embrasamento generalizado, conhecido tecnicamente como flashover. A rápida acumulação de gases no subsolo impossibilitou a evacuação imediata, resultando em uma atmosfera saturada de monóxido de carbono e cianeto, decorrentes da combustão de materiais sintéticos de isolamento acústico.
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O Risco dos Bunkers
Um bunker é projetado com paredes de concreto de altíssima densidade para proteger ocupantes de explosões ou radiação. Por natureza, a estrutura é estanque — totalmente vedada — com o mínimo de aberturas para o exterior. Em um cenário de incêndio, essas características tornam-se fatais:
- Deficiência de Ventilação: Em espaços subterrâneos, o oxigênio é consumido rapidamente. Sem sistemas de exaustão industrial de alta performance, o ambiente torna-se sufocante em poucos minutos.
- Retenção Térmica: O concreto denso retém o calor, transformando o recinto em um forno de alta temperatura, enquanto a fumaça tóxica, sem rotas de escape, preenche o espaço de forma acelerada.
- Escassez de Rotas de Fuga: Projetados para serem lacrados, muitos desses bunkers mantêm acessos restritos. No Le Constellation, relatos de sobreviventes descrevem um “afunilamento” em uma escada estreita, a única via de acesso ao andar superior.
No momento da tragédia, estima-se que 400 pessoas ocupavam o local, excedendo a capacidade oficial de 300 clientes. O proprietário do estabelecimento, o francês Jacques Moretti, encontra-se sob custódia. A investigação agora se concentra na validade das licenças de funcionamento e na responsabilidade das autoridades municipais na concessão de alvarás para o local.









