Após um ataque em conjunto dos EUA e Israel contra o Irã na semana passada (28/02), onde o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, foi morto em uma ação conjunta dos países, a tensão no Oriente Médio escalou para o início de um grande conflito. Como retaliação, um dos principais alvos do Irã foram as infraestruturas de petróleo, elevando ainda mais os custos e as consequências mundiais de um embate dessa magnitude.
Essa é uma grande estratégia para pressionar a economia global e tentar forçar um cessar-fogo dos ataques de Israel e Estados Unidos em território iraniano.
Aramco
Nesta segunda-feira, 2 de março, o Irã lançou um ataque com drones à refinaria de Ras Tanura, na Arábia Saudita. Ras Tanura é uma das maiores refinarias do mundo, com capacidade de 550 mil barris por dia, e teve suas operações temporariamente suspensas. Embora as defesas sauditas tenham interceptado os ataques dos drones, os destroços causaram um incêndio em áreas da unidade.
Mas os impactos não se limitaram à Arábia Saudita. Em Israel, as plataformas de gás Leviathan e Karish suspenderam a produção; ainda em Israel, a refinaria de Haifa também interrompeu algumas das atividades em suas unidades. Nos Emirados Árabes, um centro de dados da Amazon (AWS) em Abu Dhabi foi atingido, além de infraestruturas em Dubai e no Catar.
Fechamento do Estreito de Ormuz
O general Ebrahim Jabbari, assessor do comando da Guarda, declarou na TV estatal que qualquer navio que tentar atravessar a região será “incendiado” pelos heróis da força naval iraniana. A grande estratégia do Irã é usar o controle do estreito (por onde passa 20% do petróleo mundial) para asfixiar a economia global, respondendo aos ataques que mataram o aiatolá Ali Khamenei. Eles afirmam que não haverá exportação de energia na região enquanto o país estiver sob ataque.

Após o Irã declarar oficialmente o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçar bombardear qualquer embarcação que tente atravessar a região, o presidente Donald Trump reagiu. Em comunicado oficial, Trump minimizou as ameaças de Teerã e afirmou que os Estados Unidos não permitirão o sequestro da energia global. “O Irã não dita as regras do comércio mundial”, declarou o presidente, sinalizando que a Marinha americana já iniciou protocolos de escolta militar para garantir a passagem de petroleiros.
A fala de Trump trouxe um alívio momentâneo à volatilidade extrema vista na segunda-feira. O barril de Brent, que flertava com a marca dos US$ 100, estabilizou-se na faixa dos US$ 84, à medida que os investidores digerem a promessa de intervenção militar americana para manter as rotas de exportação ativas. Embora a OMI tenha aconselhado que as empresas “evitem” o Golfo após os ataques de domingo, o cenário tornou-se uma disputa de diretrizes. De um lado, a organização internacional prega a cautela absoluta; do outro, o governo Trump tenta restaurar a confiança do mercado prometendo escoltas militares para quem ignorar o bloqueio iraniano.









