Paulinho da Costa se torna primeiro brasileiro com estrela na Calçada da Fama: ‘Além do que eu podia esperar’

Em meio às luzes de Hollywood, um sotaque carioca ecoou forte na última quarta-feira (13). O percussionista Paulinho da Costa entrou oficialmente para a história ao se tornar o primeiro brasileiro nascido no país a receber uma estrela na tradicional Hollywood Walk of Fame. A homenagem, concedida em Los Angeles, emocionou o músico de 77 anos, que encerrou o discurso falando diretamente ao público brasileiro.

“Essa estrela não é só minha, essa estrela é nossa e viva o Brasil!”, declarou, visivelmente emocionado. “Foi além do que eu podia esperar.”

A conquista simboliza décadas de uma carreira construída nos bastidores de alguns dos maiores sucessos da música mundial. Dono de uma assinatura sonora única, Paulinho ajudou a moldar clássicos de artistas como Michael Jackson, Madonna, Elton John, Stevie Wonder e Earth, Wind & Fire. Seu talento também atravessou o cinema, aparecendo em trilhas sonoras icônicas como Saturday Night Fever, Dirty Dancing, Purple Rain e Jurassic Park.

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A estrela foi instalada na Vine Street, próxima ao lendário prédio da Capitol Records. Durante a cerimônia, Paulinho relembrou com humor os anos em que atravessava aquela rua diariamente para gravar. “Vocês não acreditam quantas vezes eu atravessei aquela rua. Me deram uma multa e tentei argumentar que estava trabalhando, mas tomei mesmo assim”, brincou, arrancando risos da plateia.

Mas antes de Hollywood, existia Irajá. Existia Portela. Existiam os terreiros, os blocos, as rodas de samba e as festas da Igreja da Penha. Nascido e criado na Zona Norte do Rio de Janeiro, Paulinho cresceu entre peladas de rua e batuques improvisados. Foi ali que desenvolveu o “molho” que mais tarde conquistaria o pop internacional.

Flamenguista apaixonado, o músico passou pela ala jovem da Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela e levou para o exterior referências profundamente brasileiras. “Não tem dúvida que estou levando um pouco do Irajá e da Portela pra Hollywood”, afirmou ao g1. “Levo toda minha trajetória para a calçada.”

Nos anos 1970, após trabalhar profissionalmente no Brasil e dividir palco com Alcione, Paulinho foi convidado para tocar com Sérgio Mendes nos Estados Unidos e acabou se estabelecendo no país. A mudança abriu caminho para uma carreira lendária nos estúdios de gravação.

Entre suas contribuições mais marcantes está a participação em Thriller, disco mais vendido da história. Foi Paulinho quem sugeriu inserir o som da cuíca na introdução de Wanna Be Startin’ Somethin’, levando um elemento tradicional do samba para um dos álbuns mais importantes do pop mundial. Em Billie Jean, ele utilizou instrumentos como agogô e cabaça metálica, reforçando a presença da musicalidade afro-brasileira nas gravações.

Seu toque inventivo também aparece em músicas históricas do Earth, Wind & Fire, como September, Serpentine Fire e Brazilian Rhyme, faixa em que utilizou colheres como instrumento de percussão.

Toda essa trajetória ganhou recentemente um registro audiovisual no documentário The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa, lançado pela Netflix. O filme reúne depoimentos de nomes como George Benson e Quincy Jones, além de mostrar o reencontro do percussionista com músicos do Earth, Wind & Fire e sua volta emocionante à Portela.

A homenagem na Calçada da Fama também reforça a presença brasileira em um dos cartões-postais mais famosos do entretenimento mundial. Antes dele, apenas Carmen Miranda nascida em Portugal e criada no Brasil desde bebê, havia recebido uma estrela ligada à cultura brasileira.

Agora, ao lado de gigantes da música e do cinema, Paulinho da Costa eterniza não apenas seu nome em Hollywood, mas também o som do samba, da cuíca e da percussão brasileira em uma das avenidas mais simbólicas da cultura pop mundial.

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