Vojvoda admite falhas ofensivas, fala em rodízio por desgaste e vê Santos forte mentalmente apesar da pressão

O Santos empatou por 0 a 0 com o RB Bragantino, neste domingo, na Neo Química Arena, pela quinta rodada do Campeonato Paulista. O resultado ampliou para quatro o número de jogos sem vitória no estadual, manteve o Peixe fora da zona de classificação para a próxima fase e gerou vaias da torcida ao apito final.

Após a partida, o técnico Juan Pablo Vojvoda concedeu entrevista coletiva e analisou o desempenho da equipe, apontando falhas ofensivas, queda de rendimento no segundo tempo e a necessidade de ajustes em meio à maratona de jogos que envolve o Paulistão e o início do Campeonato Brasileiro.

Falta de efetividade e queda de rendimento

Vojvoda avaliou positivamente o comportamento do time no primeiro tempo, especialmente na intensidade e na pressão exercida sobre o adversário, mas lamentou a falta de finalização.

“Concordo que hoje tivemos uma boa primeira metade com a pressão. O time foi intenso, roubou bolas e, a partir daí, estávamos perto da trave adversária, mas não finalizamos. Teve uma chance clara do Gabriel, mas nessa partida é preciso abrir antes o placar. Temos que trabalhar isso

O treinador explicou que esperava uma repetição do desempenho inicial na etapa final, o que não aconteceu.

“No segundo tempo eu imaginava algo similar ao primeiro tempo e foi diferente. Não conseguimos capitalizar mais opções. Tivemos poucas chances e temos que rever e analisar. Para ganhar, temos que criar chances e encontrar efetividade. Hoje não conseguimos”

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Criação ofensiva e ajustes necessários

O técnico voltou a destacar que o principal problema do Santos nas últimas rodadas tem sido a criação de jogadas e a finalização.

“O futebol é um todo. Hoje, diretamente, a criação de jogadas de gol. Se falarmos da primeira partida do ano e de como terminamos a temporada passada, era a efetividade e finalizar a gol”

“É uma realidade. Nas últimas duas ou três rodadas nos faltou conexão para criar chances de gol. Temos que trabalhar e corrigir”

Segundo Vojvoda, a sequência pesada de jogos dificulta treinamentos mais aprofundados.

“Estamos em um momento difícil para trabalhar porque temos jogos a cada dois dias e precisamos fazer rodízio. Manter um mesmo time é difícil, mas vamos trabalhar para conseguir”

Rodízio, desgaste físico e calendário

O treinador explicou que o desgaste físico acumulado influenciou diretamente suas escolhas na escalação diante do Bragantino.

“Temos que rodar os jogadores. A última partida foi há 72 horas, com desgaste físico. Por isso, alguns jogadores ficaram no departamento médico pelo esforço realizado contra o Corinthians. Eu considerei isso”

Vojvoda projetou a sequência de compromissos, incluindo a estreia no Campeonato Brasileiro.

“Quanto ao Brasileirão, estamos também a 72 horas e vamos precisar de todos. O rodízio vai acontecer em todos os times porque o calendário está muito apertado”

Meio-campo intenso e leitura do jogo

Ao analisar o funcionamento da equipe, o técnico destacou a atuação do trio de meio-campo formado por Willian Arão, Zé Rafael e Gabriel Menino.

“No meio-campo tivemos três volantes de intensidade alta com Arão, Zé Rafael e Menino. Roubamos bola no campo adversário”

Mesmo assim, apontou novamente a dificuldade para transformar esse domínio em chances claras.

“O que falta é conseguir criar chances de gol. Sofremos a pressão alta do Bragantino e o espaço estava nas costas da defesa deles”

“No primeiro tempo tivemos duas ou três chances para incomodar. Precisamos ter regularidade durante o jogo. Eu imaginava que isso aconteceria no segundo tempo, mas não aconteceu”

Opções ofensivas e avaliações individuais

Vojvoda elogiou a postura de Miguelito e explicou como utilizou suas características ao longo da partida.

“Muito bem. Ele é um jogador que se apresentou como todos. Comecei a conhecer ele, vi a disposição, o compromisso e a qualidade também. Respondeu bem aos minutos nos jogos e é isso que precisamos de todos. Fez um bom primeiro tempo, estava bem no jogo”

O treinador também comparou o jovem com Rollheiser.

São características que temos. Ele e o Rollheiser são similares e vão ajudar a equipe

Sobre Lautaro Díaz, Rollheiser e as mudanças feitas no segundo tempo, Vojvoda detalhou sua ideia ofensiva.

Considerei manter o Lautaro porque é um atacante, queria um jogo ofensivo. O Rollheiser tem características parecidas com o Miguel e era um momento para atacar espaços

Eu considerei o Rollheiser no meio porque o Miguel estava pela esquerda e queria um ataque mais vertical por esse lado. Depois entrou o Mateus Xavier para dar profundidade, mas não conseguimos o que buscávamos

Pressão, força mental e contexto do trabalho

O treinador reconheceu que a pressão aumentou com a sequência sem vitórias, mas reforçou a confiança no trabalho e no aspecto mental do elenco.

Temos jogos a fazer. No ano passado lutamos e conseguimos um lugar na Sul-Americana. Sofremos, não queríamos isso. Precisamos ter atenção nos dois campeonatos. O Brasileirão está começando e o Paulista está perto de definir coisas importantes”

“Eu estou trabalhando com o elenco, com a cabeça forte. A pressão sempre vai existir. Em outros momentos tivemos a pressão do rebaixamento e estamos fortes mentalmente”

Vojvoda foi cauteloso ao falar sobre avaliações mais profundas do elenco neste momento da temporada.

Sou uma pessoa crítica internamente. A avaliação precisa ser feita em determinados momentos. Existem avaliações parciais e finais”

“Quando cheguei, o Santos não estava estável por conta dos resultados. Temos 25 dias de trabalho, com jogos. Encontramos dificuldades no mercado. São poucos dias para fazer uma avaliação mais própria. Posso fazer uma avaliação parcial, mas não sei se é coerente fazer isso agora”

Na sequência, o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, também se manifestou sobre o momento do clube, reforçando a confiança no treinador e assumindo a responsabilidade da diretoria pela necessidade de reforçar o elenco.

Presidente Marcelo Teixeira concedendo entrevista na Zona mista pós-jogo – Foto: Guilherme de Souza/Portal Ponto360

Presidente Marcelo Teixeira banca treinador e reconhece necessidade de reforços

Marcelo Teixeira afirmou que o Santos precisa agir com rapidez no mercado para suprir carências do elenco, especialmente após a saída de jogadores importantes.

“Nós sabemos que o adversário está lutando pelas primeiras colocações e nós também temos que buscá-las. Tivemos muitos desfalques, jogadores importantes, e mesmo assim temos a necessidade de intensificar a possibilidade de contratações”

O presidente citou diretamente a saída do atacante Guilherme.

“Nós perdemos alguns atletas. No caso do Guilherme”

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Limitações financeiras e responsabilidade

Teixeira explicou que as negociações enfrentam entraves financeiros e burocráticos, mas reforçou a importância de reposição.

“Temos que repor jogadores de acordo com as possibilidades do clube, respeitando a questão financeira, mas também existem dificuldades nas negociações com outros clubes”

“Alguns estão envolvidos em questões internas, direitos e dívidas existentes. É natural que exista esse momento, e o Santos precisa de rapidez para repor essas peças e dar continuidade tanto no Brasileiro quanto nos últimos jogos do Paulista”

O mandatário voltou a defender Vojvoda e dividir a responsabilidade pelo momento vivido pelo clube.

“A confiança no trabalho do Juan é total. O trabalho do treinador requer tempo. Ele está há seis meses no Santos’

“Se ficarmos exigindo resultados sem oferecer material humano e ainda trocando de treinador, achando que a responsabilidade é só dele, não é. A responsabilidade é nossa, da diretoria, de todos que fazem parte desse processo”

Por fim, Marcelo Teixeira destacou a necessidade de equilíbrio financeiro e paciência no processo de reconstrução.

Não vamos endividar o clube. Não podemos ser irresponsáveis e tomar atitudes erradas, endividando ainda mais o Santos”

“Eu compreendo a pressão da torcida. Nos anos 2000, quando não disputávamos títulos, era a mesma pressão

“O Santos vai recuperar seu DNA e voltar a disputar títulos no momento em que tivermos equilíbrio em todas essas ações. Estamos no caminho certo”

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