A recente movimentação no comando técnico do Chelsea não mexeu apenas com os bastidores da Inglaterra, o impacto atravessou o Canal da Mancha e atingiu em cheio o Strasbourg, na França. A contratação do novo treinador dos Blues reacendeu uma polêmica que ganha cada vez mais força no futebol europeu, o modelo de gestão de multiclubes.
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O Strasbourg pertence à BlueCo, o mesmo consórcio que administra o Chelsea. Quando a equipe inglesa anunciou seu novo comandante, a torcida francesa reagiu prontamente com protestos. Para os torcedores do Strasbourg, o clube está sendo tratado apenas como um “laboratório” ou uma peça secundária no tabuleiro dos proprietários americanos, servindo aos interesses da equipe de Londres em vez de focar em seu próprio crescimento.
O episódio levanta um debate profundo sobre a identidade do futebol. No modelo de multiclubes, grupos econômicos compram várias equipes ao redor do mundo, criando uma rede de cooperação. Na teoria, isso ajuda no intercâmbio de jogadores e tecnologia, na prática, as torcidas de times menores sentem que a história e a competitividade de seus clubes estão sendo sacrificadas para beneficiar o time principal do grupo.
As manifestações em Strasbourg deixaram claro que a paixão local não aceita ser coadjuvante. Faixas e críticas nas redes sociais mostram um descontentamento com a falta de autonomia nas decisões e com a sensação de que o time francês se tornou um celeiro para testar profissionais que, ao ganharem destaque, são rapidamente levados para o Chelsea.
Enquanto o Chelsea tenta se reestruturar com a nova liderança, o Strasbourg enfrenta o desafio de acalmar sua torcida e provar que ainda possui ambições próprias dentro do cenário francês. O caso serve de alerta para a UEFA e para o mundo do futebol sobre os limites éticos e esportivos dessa nova era de donos globais.









