Segundo dados do Banco Central (BC), o déficit acumulado das estatais federais entre janeiro e novembro atingiu R$ 6,3 bilhões. As estatísticas fiscais divulgadas nesta sexta-feira (26) indicam que esse é o segundo maior resultado negativo da série histórica, ficando atrás apenas do registrado no mesmo período do ano passado. Com isso, os Correios anunciam plano de recuperação após empréstimo de R$ 12 bilhões.
LEIA TAMBÉM: Desemprego recua a 5,2% em novembro e atinge menor nível da série histórica
Entre janeiro e novembro de 2024, o rombo somou R$ 6,7 bilhões. Na prática, isso significa que, no conjunto, as despesas dessas empresas superaram as receitas obtidas ao longo do período.
Em relação a outubro, houve leve melhora: até aquele mês, o déficit acumulado era de R$ 6,35 bilhões. A série do Banco Central, iniciada em 2002, exclui Petrobras, Eletrobras e as instituições financeiras públicas.
O BC calcula o resultado com base na necessidade de financiamento das estatais — ou seja, se elas demandam mais recursos do Tesouro Nacional ou, ao contrário, transferem recursos para os cofres públicos.
Confira “Filhos do Silêncio” de Andrea dos Santos
O desempenho negativo é influenciado principalmente pela situação financeira dos Correios. A empresa estima que serão necessários até R$ 20 bilhões para recuperar a sustentabilidade econômica até 2027. Neste ano, já foi contratado um empréstimo de R$ 12 bilhões na tentativa de interromper uma sequência de 12 trimestres consecutivos de prejuízos.
A estatal vem acumulando resultados negativos nos últimos anos. Em 2024, o déficit superou R$ 2,5 bilhões. No primeiro semestre de 2025, o prejuízo já ultrapassou R$ 4 bilhões e pode alcançar R$ 10 bilhões até o fim do ano. Para 2026, a projeção é de um rombo de até R$ 23 bilhões, caso não haja mudanças.
Atualmente, os Correios enfrentam um prejuízo estrutural superior a R$ 4 bilhões por ano, decorrente principalmente da obrigação de manter a universalização do serviço postal em todo o país. Na tentativa de reverter esse cenário, a empresa anunciou nesta segunda-feira (29) um plano de recuperação. As medidas incluem o fechamento de cerca de mil agências, a demissão de aproximadamente 15 mil funcionários e o aumento de receitas por meio da venda de imóveis e outros ativos da estatal.









