O Banco Central do Brasil decidiu manter a taxa Selic, referência dos juros básicos da economia, em 15% ao ano durante a primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 2026, realizada nesta quarta-feira (28). A decisão foi unânime entre os sete membros do colegiado.
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Com isso, a Selic permanece no nível mais alto em duas décadas desde junho de 2025, após seis reuniões consecutivas e cinco decisões seguidas de manutenção. No entanto, depois de um período considerado “bastante prolongado” de política monetária fortemente restritiva para conter a inflação, o Copom indicou que poderá iniciar um processo de afrouxamento dos juros já na próxima reunião, em março, caso o cenário projetado se confirme. O tamanho de um eventual corte, porém, não foi detalhado.
Em comunicado, o Comitê ressaltou que o compromisso com a meta de inflação exige cautela tanto no ritmo quanto na intensidade do ciclo de flexibilização, que dependerão da evolução de fatores capazes de aumentar a confiança no cumprimento da meta no horizonte relevante da política monetária.
O Banco Central voltou a destacar o ambiente internacional ainda incerto, especialmente devido à conjuntura e à política econômica dos Estados Unidos, com impactos sobre as condições financeiras globais. Segundo a autoridade monetária, esse contexto demanda prudência por parte de países emergentes, sobretudo em um cenário de tensões geopolíticas.
No plano interno, o BC avalia que os indicadores seguem evoluindo de forma favorável ao trabalho da política monetária. A atividade econômica mostra sinais de desaceleração, o mercado de trabalho permanece resiliente e a inflação, embora ainda acima da meta, apresenta trajetória de controle.
O Copom afirmou no comunicado que continua monitorando os efeitos do cenário geopolítico sobre a inflação no Brasil:
“O Comitê segue acompanhando os impactos do contexto geopolítico na inflação brasileira, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”.
As projeções para o horizonte relevante da política monetária foram mantidas, com o IPCA estimado em 3,2% no terceiro trimestre de 2027. Já as estimativas separadas para preços livres e administrados foram revisadas para baixo, passando a 3,1% e 3,3%, respectivamente. Para 2026, a projeção de inflação caiu de 3,5% para 3,4%.
O Banco Central trabalha com uma meta de inflação de 3% em 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Dessa forma, o Copom reiterou que seguirá adotando uma política monetária suficientemente restritiva para garantir a convergência da inflação à meta.
Expectativas
A decisão do BC veio em linha com o que o mercado já esperava. Dados do Sistema de Expectativas de Mercado, divulgados semanalmente no boletim Focus, indicavam que a maioria dos analistas projetava a manutenção da Selic em 15%, com início dos cortes apenas na próxima reunião, marcada para os dias 17 e 18 de março.
As projeções apontam que a taxa básica de juros deve encerrar o ano em torno de 12% e não deve recuar para patamar inferior a dois dígitos antes do fim de 2027.









