O ator e diretor Gracindo Júnior, um dos nomes históricos da dramaturgia brasileira, morreu nesta terça feira e sendo anunciado hoje (2), aos 83 anos, no Rio de Janeiro. Com mais de cinco décadas dedicadas à televisão, ao teatro, ao cinema e ao rádio, o artista deixa uma trajetória profundamente ligada à história da cultura brasileira.
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A morte de Gracindo Júnior acontece apenas dois dias antes de se completarem 30 anos da morte de seu pai, o também ator Paulo Gracindo, falecido em 4 de setembro de 1996, aos 84 anos. Pai e filho, além dos laços familiares, compartilharam a profissão e chegaram a dividir trabalhos marcantes na televisão brasileira. Nascido Epaminondas Xavier Gracindo, em 21 de maio de 1943, no Rio de Janeiro, Gracindo Júnior começou a trabalhar ainda adolescente.
Aos 15 anos, ingressou na Rádio Nacional, onde atuou como ator, redator e disc-jóquei. Em 1961, estreou nos palcos em A Escada, de Oswald de Andrade. Sua trajetória também foi atravessada por um dos períodos mais sombrios da história brasileira. Ligado ao Partido Comunista, Gracindo Júnior foi afastado da Rádio Nacional após o golpe militar de 1964, juntamente com outros profissionais perseguidos pelo novo regime, como Dias Gomes e Mário Lago.
Na televisão, acompanhou a consolidação do próprio meio no Brasil. Depois de passagens por emissoras como TV Rio, Excelsior e Tupi, integrou a primeira geração de artistas da TV Globo, participando da inauguração da emissora, em 1965. Ao longo das décadas seguintes, esteve em produções que se tornaram parte da memória afetiva dos brasileiros.
Entre seus trabalhos estão O Bem-Amado, O Casarão, Rainha da Sucata, Explode Coração, Dona Beija, Cidadão Brasileiro, Poder Paralelo, Ribeirão do Tempo e Rei Davi.Um dos encontros mais simbólicos entre Gracindo Júnior e Paulo Gracindo ocorreu em O Casarão, novela de Lauro César Muniz exibida em 1976.
Pai e filho interpretaram o mesmo personagem, João Maciel, em momentos diferentes de sua vida: Gracindo Júnior viveu a versão jovem, enquanto Paulo Gracindo interpretou o personagem mais velho. A admiração pelo pai também ultrapassou as telas. Anos depois, Gracindo Júnior escreveu e dirigiu o espetáculo Paulo Gracindo, Meu Pai, transformando em teatro a memória e o legado de uma das figuras mais importantes da dramaturgia nacional.









