As consequências da forte ventania que atingiu a Grande São Paulo na quarta-feira (10) seguem causando transtornos nesta quinta-feira (11). Mais de 1,5 milhão de imóveis continuam sem energia, segundo atualização da Enel no início da manhã. Na capital, o impacto é ainda maior: mais de 1 milhão de clientes seguem no escuro, mantendo a cidade em situação crítica desde o temporal.
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O número representa uma redução em relação aos mais de 2 milhões de clientes afetados no dia anterior, mas ainda indica um cenário de grande dificuldade para moradores, serviços públicos e infraestrutura urbana. A Enel atende a capital e outras 23 cidades da região metropolitana.
De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a falta de energia mantém 235 semáforos apagados na cidade. Outros 20 apresentam falhas e cinco operam apenas no amarelo piscante. A consequência é um trânsito ainda mais lento: por volta das 7h, a capital registrava 203 km de lentidão, número acima do habitual, sobretudo nas regiões da Zona Oeste e Zona Sul.
A interrupção no fornecimento também provoca reflexos no abastecimento de água em diferentes bairros, ampliando a sensação de insegurança entre moradores.
Todos os parques administrados pela prefeitura, incluindo o Parque do Ibirapuera, permaneceram fechados durante a manhã desta quinta-feira. Técnicos avaliam a possibilidade de reabertura parcial no período da tarde, conforme a situação de cada área. Em vários dos espaços verdes, quedas de árvores e galhos bloqueiam caminhos e oferecem risco aos frequentadores.
Segundo o panorama atualizado da Enel, 1.530.000 clientes estavam sem energia na Grande São Paulo por volta das primeiras horas do dia. Somente na capital, o número chegava a 1.067.779 imóveis afetados.

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Na quarta-feira, a estação do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), localizada na Lapa, Zona Oeste, registrou rajadas de 98,1 km/h, índice considerado extremamente elevado para a região. A Defesa Civil confirmou que o fenômeno foi provocado pela passagem de um ciclone extratropical formado no Sul do país, que provocou efeitos diretos também na capital e na região metropolitana.
Os impactos foram amplos. Segundo a Prefeitura, foram registradas 231 quedas de árvores em São Paulo. Até a noite de quarta-feira, 182 ocorrências já haviam sido atendidas. Outras 40 dependem do apoio da Enel para a remoção segura, já que envolvem fios e postes danificados.
Diante da nova onda de apagões, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou à GloboNews que solicitará novas medidas à Aneel e à Justiça para que sejam revistas e cobradas responsabilidades no contrato com a concessionária. O prefeito lembrou que a capital já enfrenta problemas recorrentes desde novembro de 2023, quando quedas de energia prolongadas motivaram processos e investigações.
Por causa do apagão na noite de quarta, a Globo anunciou que os capítulos das novelas exibidos na data estarão disponíveis gratuitamente no Globoplay. A medida busca atender parte do público que ficou impossibilitado de acompanhar a programação.
Os efeitos da ventania e da queda de energia também chegaram aos aeroportos. No Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul, 181 voos foram afetados na quarta-feira, sendo 88 chegadas e 93 partidas, segundo a concessionária Aena. Mesmo com o início das operações às 6h desta quinta, já havia quatro decolagens e nove chegadas canceladas até as 6h55.

No Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, o cenário também era complexo. Até 6h55 desta quinta, duas partidas e 15 pousos haviam sido cancelados. No dia anterior, 31 pousos tiveram de ser alternados para outros aeroportos por motivos climáticos.
Chamados de emergência
O Corpo de Bombeiros registrou, entre 0h e 5h45 desta quinta-feira:
- 17 chamados para quedas de árvores,
- 10 para desabamentos ou desmoronamentos,
- nenhum chamado relacionado a enchentes ou alagamentos.
Imagens do início da manhã mostravam diversas vias ainda obstruídas, como a Rua Eça de Queiroz, na Vila Mariana, onde uma grande árvore continuava caída sobre parte da via.









