Dor nas costas ou recado do corpo? Descubra o que a sua postura anda dizendo

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À medida que os anos passam, muitas pessoas começam a conviver com dores frequentes nas costas e, quase sempre, atribuem esse desconforto exclusivamente à idade. No entanto, o corpo raramente reclama sem motivo. A dor costuma ser um sinal de alerta, uma forma de comunicação que indica que algo nos hábitos diários precisa de atenção. A postura, especialmente após os 50 anos, desempenha um papel central nesse diálogo silencioso entre o corpo e a mente.

Grande parte das dores nas costas não surge de movimentos bruscos ou esforços extremos, mas de pequenas escolhas repetidas ao longo do dia. O tempo prolongado sentado no sofá, o uso constante do celular com a cabeça inclinada para frente, as horas diante do computador ou até a maneira como caminhamos dentro de casa contribuem, pouco a pouco, para sobrecarregar a coluna. A ciência já demonstrou que a postura inadequada altera a distribuição das forças sobre vértebras, discos e articulações, aumentando a tensão muscular e favorecendo processos inflamatórios.

Um exemplo comum é o hábito de olhar o celular com o pescoço projetado para frente. Esse simples gesto aumenta significativamente a carga sobre a coluna cervical, exigindo que músculos e ligamentos trabalhem além do necessário. Com o tempo, surgem rigidez no pescoço, dor entre os ombros e até dores de cabeça. O mesmo ocorre ao sentar-se de forma relaxada demais no sofá, com a lombar sem apoio e o tronco curvado. O corpo até parece confortável naquele momento, mas a coluna paga o preço algumas horas depois.

Outro ponto importante é o sedentarismo associado à má postura. Quando nos movimentamos pouco, os músculos responsáveis por sustentar a coluna enfraquecem. A musculatura abdominal, os glúteos e os músculos das costas formam um sistema de proteção natural da coluna. Se esse sistema não é estimulado, a estrutura óssea passa a receber mais carga do que deveria, aumentando o risco de dor e desconforto. Estudos indicam que exercícios simples e regulares são capazes de reduzir significativamente dores lombares em pessoas mais velhas, mesmo sem necessidade de equipamentos sofisticados.

A boa notícia é que o corpo também responde rapidamente a mudanças positivas. Pequenos ajustes na rotina já produzem efeitos relevantes. Ao usar o celular, por exemplo, elevar o aparelho até a altura dos olhos evita a flexão excessiva do pescoço. No computador, manter os pés apoiados no chão, a tela na altura dos olhos e as costas bem encostadas no encosto da cadeira ajuda a preservar as curvaturas naturais da coluna. No sofá, o uso de uma almofada na região lombar pode fazer grande diferença.

Além das correções posturais, alguns movimentos simples podem ser incorporados ao dia a dia como forma de “conversa” positiva com o corpo. Alongar-se ao acordar, movimentando braços e coluna de forma suave, ajuda a reduzir a rigidez matinal. Levantar-se a cada 30 ou 40 minutos quando estiver sentado, caminhar um pouco pela casa e mobilizar os ombros e o pescoço evitam a sobrecarga contínua. Exercícios como elevar e abaixar os ombros lentamente, girar o tronco sentado ou em pé e alongar a parte posterior das pernas contribuem para aliviar tensões acumuladas.

É importante destacar que postura correta não significa rigidez ou posições forçadas. Uma postura saudável é aquela que permite movimento, conforto e eficiência. O corpo humano foi feito para se mover, não para permanecer estático por longos períodos. Alternar posições, variar atividades e respeitar os sinais de cansaço são atitudes tão importantes quanto sentar ou caminhar “do jeito certo”.

Quando a dor persiste ou se intensifica, ela merece atenção profissional, pois pode indicar condições que exigem avaliação específica. No entanto, na maioria dos casos, ouvir o que o corpo está dizendo e ajustar hábitos cotidianos já representa um passo decisivo para mais conforto e autonomia. Após os 60 anos, cuidar da postura não é apenas uma questão estética ou de prevenção de dor, mas uma estratégia concreta para manter independência, mobilidade e qualidade de vida.

No fim das contas, a coluna não pede perfeição, pede cuidado. Cada ajuste consciente ao longo do dia é uma resposta direta à mensagem que o corpo envia. E quanto mais cedo aprendemos a escutá-lo, mais leve e funcional tende a ser o nosso movimento no presente e no futuro.

Autor

  • Rogerio K.

    O Prof. Rogerio K. é Personal Trainer, especialista em treinamentos para adultos com foco em longevidade e independência.
    Formado em Educação Física e Pós Graduado em Fisiologia do Exercício pela Faculdade de Educação Física de Santo André, Especialista em Treinamento pelo Comitê Olímpico Brasileiro, Pós Graduado em Treinamento Físico, Marketing e Vendas pela Faculdade FaCiência e Pós Graduando em Gerontologia.

    Além disso, é responsável pelo Canal Ativos para Sempre (https://www.youtube.com/@ativosparasempre), no Youtube, com dicas sobre envelhecer com qualidade, é colunista do Portal Ponto360 (https://portalponto360.com.br/), com textos sobre saúde e qualidade de vida para pessoas 50+, é proprietário do Canal do Mixão no YouTube (https://www.youtube.com/@canaldomixao), que fala sobre o universo da natação, esporte no qual o Prof. Rogerio K. atua por mais de 40 anos, com muitos resultados expressivos, escreve no blog Técnica de Nado (www.tecnicadenado.blogspot.com) voltado para professores e amantes da natação e faz o Podcast Fora D'água (https://open.spotify.com/show/2ZYX6P52wsr7iqHv1uZYjC) com entrevistas que envolvem a contribuição dos esportes de competição na vida adulta e como formação de cidadãos.

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