Como o exercício atua no metabolismo mais lento

Você já percebeu que, depois dos 50 anos, parece que o corpo não responde como antes? Aquela facilidade para manter o peso diminui, a energia oscila mais e pequenas indulgências alimentares parecem “ficar” por mais tempo. Muitas pessoas atribuem isso simplesmente à idade, mas o que está por trás dessa sensação tem nome: desaceleração metabólica. A boa notícia é que o exercício físico é uma das estratégias mais eficazes para enfrentar esse cenário e recuperar parte da eficiência metabólica.

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O metabolismo representa o conjunto de reações químicas que mantêm o corpo funcionando — desde a produção de energia até a renovação celular. Com o passar dos anos, ocorre uma redução natural da massa muscular e alterações hormonais que impactam diretamente o gasto energético basal, ou seja, a quantidade de calorias que o corpo consome mesmo em repouso. Menos músculo significa menor consumo de energia. É aqui que o exercício entra como protagonista.

Quando você pratica atividade física, especialmente exercícios de força, estimula a manutenção e até o ganho de massa muscular. O músculo é metabolicamente ativo, o que significa que ele consome energia mesmo quando você está parado. Em termos simples: quanto mais massa muscular preservada, maior tende a ser o gasto energético diário. Isso ajuda no controle do peso, na regulação da glicemia e na melhora do perfil lipídico.

Mas não é apenas a musculação que faz diferença. Exercícios aeróbios, como caminhada rápida, bicicleta ou natação, aumentam o consumo de oxigênio, melhoram a sensibilidade à insulina e favorecem a utilização de gordura como fonte de energia. Além disso, o corpo continua gastando calorias mesmo após o término da atividade, em um fenômeno conhecido como consumo excessivo de oxigênio pós-exercício. Ou seja, o metabolismo permanece elevado por um período, ampliando os benefícios.

Outro ponto fundamental é o impacto hormonal. A prática regular de exercícios contribui para um ambiente hormonal mais favorável, auxiliando na regulação do cortisol (hormônio do estresse), melhorando a ação da insulina e estimulando hormônios ligados à preservação muscular. Em pessoas acima dos 50 anos, isso é especialmente relevante, pois ajuda a reduzir o acúmulo de gordura abdominal, associado a maior risco cardiovascular e metabólico.

O exercício também influencia a qualidade do sono, e dormir melhor tem efeito direto sobre o metabolismo. Estudos mostram que noites mal dormidas estão relacionadas ao aumento do apetite e à maior preferência por alimentos calóricos. Ao melhorar o sono, o exercício ajuda a equilibrar os mecanismos que regulam fome e saciedade.

Talvez o aspecto mais interessante seja perceber que o metabolismo não é um destino fixo. Ele responde aos estímulos que recebe. Um estilo de vida sedentário envia ao corpo a mensagem de que não é necessário manter estruturas metabolicamente caras, como o músculo. Já o movimento frequente comunica exatamente o oposto: é preciso manter eficiência, força e vitalidade.

É importante destacar que consistência supera intensidade extrema. Não se trata de treinos exaustivos, mas de regularidade. Sessões de força duas a três vezes por semana, combinadas com atividades aeróbias moderadas, já promovem mudanças significativas. Pequenas escolhas diárias — subir escadas, caminhar mais, interromper longos períodos sentado — também contribuem para manter o metabolismo mais ativo.

Encarar o metabolismo mais lento como um inimigo inevitável é limitar o próprio potencial de adaptação do corpo. A ciência mostra que, mesmo em idades mais avançadas, o organismo continua altamente responsivo aos estímulos corretos. O exercício não apenas aumenta o gasto calórico, mas melhora a forma como o corpo utiliza energia, tornando-o mais eficiente e equilibrado.

3 formas de usar este conteúdo imediatamente a seu favor

  1. Inclua exercícios de força na sua rotina semanal para preservar e estimular a massa muscular.
  2. Acrescente pelo menos 30 minutos de atividade aeróbia moderada na maioria dos dias da semana.
  3. Reduza períodos prolongados sentado, criando pausas ativas ao longo do dia.

Se existe um momento ideal para começar, ele é agora. Seu metabolismo não está “condenado” pela idade — ele está aguardando estímulo. Cada passo dado, cada peso levantado e cada escolha ativa enviam ao seu corpo a mensagem de que vitalidade ainda é prioridade. Movimente-se com consciência, constância e propósito. Seu corpo responde, sua energia melhora e sua qualidade de vida acompanha essa decisão.

Autor

  • Rogerio K.

    O Prof. Rogerio K. é Personal Trainer, especialista em treinamentos para adultos com foco em longevidade e independência.
    Formado em Educação Física e Pós Graduado em Fisiologia do Exercício pela Faculdade de Educação Física de Santo André, Especialista em Treinamento pelo Comitê Olímpico Brasileiro, Pós Graduado em Treinamento Físico, Marketing e Vendas pela Faculdade FaCiência e Pós Graduando em Gerontologia.

    Além disso, é responsável pelo Canal Ativos para Sempre (https://www.youtube.com/@ativosparasempre), no Youtube, com dicas sobre envelhecer com qualidade, é colunista do Portal Ponto360 (https://portalponto360.com.br/), com textos sobre saúde e qualidade de vida para pessoas 50+, é proprietário do Canal do Mixão no YouTube (https://www.youtube.com/@canaldomixao), que fala sobre o universo da natação, esporte no qual o Prof. Rogerio K. atua por mais de 40 anos, com muitos resultados expressivos, escreve no blog Técnica de Nado (www.tecnicadenado.blogspot.com) voltado para professores e amantes da natação e faz o Podcast Fora D'água (https://open.spotify.com/show/2ZYX6P52wsr7iqHv1uZYjC) com entrevistas que envolvem a contribuição dos esportes de competição na vida adulta e como formação de cidadãos.

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