A tecnologia fiscal deixou de ser apenas um suporte operacional e passou a desempenhar um papel central na competitividade das empresas, especialmente em um país onde a complexidade tributária consome tempo, recursos e margem financeira. No Brasil, companhias chegam a gastar até 1.500 horas por ano apenas para cumprir obrigações fiscais, cenário que pressiona custos e amplia riscos operacionais.
Segundo dados do Banco Mundial, o tempo médio dedicado às obrigações tributárias no Brasil é quase dez vezes superior ao registrado em países da OCDE, onde a média é de 155,7 horas anuais. Para Roberto De Lázari, diretor de parcerias estratégicas da All Tax, esse contexto transforma a área fiscal em um fator decisivo para o desempenho financeiro. “A tecnologia transforma o ciclo fiscal em um ativo estratégico, capaz de impactar diretamente lucro, caixa e capacidade de investimento”, afirma.
De acordo com o executivo, empresas que automatizaram seus sistemas fiscais conseguem reduzir custos operacionais em até 40% e eliminar até 95% dos erros manuais, além de ganhar previsibilidade financeira. A automação também reduz retrabalho e melhora a qualidade dos dados, fator essencial para decisões estratégicas mais precisas. “Processos manuais consomem cerca de 30% do tempo dos profissionais da área e geram inconsistências que aumentam o risco de autuações”, explica De Lázari.
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A ausência de automação, somada à constante edição de normas e mudanças regulatórias, amplia a insegurança jurídica. Multas por descumprimento fiscal podem chegar a 150% do valor do imposto devido, o que torna a adaptação tecnológica ainda mais urgente. Nesse cenário, sistemas integrados que automatizam todo o ciclo fiscal, da captura de dados à entrega das obrigações, reduzem prazos de dias para minutos e elevam o nível de governança.
O avanço da Inteligência Artificial também começa a remodelar a área fiscal. Pesquisa da KPMG, publicada em outubro de 2025, mostra que 60% das empresas brasileiras consideravam o uso de IA generativa em relatórios fiscais, sendo que parte delas já utiliza a tecnologia para rastreamento de despesas, deduções e monitoramento de conformidade regulatória. O movimento se intensifica com o surgimento das chamadas Inteligências Artificiais autônomas (Agentic AI), capazes de identificar mudanças legislativas em tempo real e atualizar regras fiscais automaticamente.
Além da eficiência operacional, a tecnologia fiscal passa a ser determinante diante da Reforma Tributária. O novo modelo de IVA Dual, baseado em créditos e débitos ao longo da cadeia produtiva, exige dados confiáveis desde a origem das operações. “O crédito tributário passa a ser um elemento estrutural de margem e liquidez. Quem tem governança de dados bem organizada consegue capturar mais créditos, com menor risco”, explica De Lázari.
Embora os tributos CBS e IBS ainda não sejam cobrados nesta fase inicial da reforma, eles já passarão a constar nos documentos fiscais. Para o executivo, 2026 será um ano decisivo para a preparação das empresas. “A reforma premia quem controla dados e processos e penaliza quem opera no improviso”, conclui.









